O Recife vai ganhar 240 bicicletas elétricas no sistema de compartilhamento Bike Itaú até o fim de outubro de 2026, segundo anúncio da Prefeitura do Recife feito na segunda-feira, 26 de outubro. Com elas, a frota da cidade passa a somar 1.200 bicicletas, entre convencionais e elétricas, numa parceria da prefeitura com a Tembici e o Itaú Unibanco.
O detalhe que não apareceu no anúncio está no contrato: o motor dessas bikes só pode ajudar até 20 km/h. Lemos o caderno de encargos da concessão, publicado pela própria prefeitura, e é ele que explica quanto essa bike anda, quanto pode custar e quantas estações a cidade ainda vai ganhar.
O que a prefeitura anunciou
O comunicado da prefeitura saiu em 26/10/2026 e foi reproduzido no mesmo dia pelo Diario de Pernambuco e por outros veículos locais (o portal de notícias da prefeitura estava fora do ar quando tentamos acessá-lo nesta terça, 27). As bikes elétricas são de pedal assistido, com autonomia de até 100 km conforme o uso e o trajeto, e rastreamento por GPS.
O secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Felipe Matos, ligou a novidade à malha cicloviária, que a prefeitura calcula em cerca de 206 km. Tomás Martins, CEO e cofundador da Tembici, disse que o pedal assistido deixa os trajetos longos mais confortáveis. Segundo ele, o projeto atingiu 10 milhões de deslocamentos neste ano.
Pedal assistido não é moto disfarçada: sem pedalar, a bike não sai do lugar.
O número que o contrato fixa
O anexo do contrato da concessão, na versão de 18/11/2025 publicada no portal de parcerias da prefeitura, lista o que cada bike elétrica precisa ter. Motor de até 1.000 W, funcionamento só quando o ciclista pedala, nenhum acelerador e assistência que para aos 20 km/h. Também exige limitador ou indicador de velocidade, campainha, sinalização noturna, retrovisor esquerdo e localização em tempo real.
Na reportagem do Diario de Pernambuco, a velocidade máxima aparece como 32 km/h. Esse é o teto da regra federal, não o do contrato. Pela Resolução nº 996/2023 do Contran, bicicleta elétrica é a que tem motor de até 1.000 W, pedal assistido, sem acelerador e assistência até 32 km/h. Com acelerador, deixa de ser bicicleta e passa a ser autopropelido ou ciclomotor, conforme as medidas. Passou dos 32 km/h, vira ciclomotor, que exige ACC ou CNH categoria A e placa. O Recife escolheu ficar bem abaixo do limite, e quem pedalar mais rápido que 20 km/h fará isso só com a força das pernas.
Para entender por que esse corte é sentido no pedal, explicamos como funciona o sensor de cadência e o de torque, que decide quando o motor entra e sai.
Vinte km/h é a velocidade de quem chega ao trabalho sem suar, e sem assustar ninguém na ciclofaixa.
Quanto pode custar

Aqui está a parte que mais pesa no bolso. Segundo o Diario de Pernambuco, que consultou o aplicativo em 26/10/2026, a viagem avulsa de bike elétrica custa R$ 13,50 por até 15 minutos, com R$ 0,90 por minuto extra, e o uso da elétrica não entra nos planos de R$ 32,45 por mês a R$ 225 por ano.
O contrato prevê outro caminho. O caderno de encargos fixa tetos para os planos só de bikes comuns: R$ 9,75 o passe diário, R$ 32,45 o mensal e R$ 224,95 o anual, reajustáveis pelo IPCA. Para planos que incluam as elétricas, o teto é o mesmo valor mais 25%, e o minuto excedente não pode passar de R$ 0,50. Ou seja, um plano mensal com elétrica poderia custar até cerca de R$ 40,56. Esse plano ainda não aparecia nas informações divulgadas até 27/10/2026.
No compartilhamento, a bike elétrica custa caro na viagem solta e fica barata na rotina.
As estações que ainda faltam
A concessão dura dez anos. No primeiro ano, a operadora tem de instalar ao menos 55 estações, com 440 bikes comuns e 110 elétricas em circulação. No segundo, precisa chegar a 120 estações e completar as 1.200 bicicletas. O anúncio de 26/10 não disse quais estações recebem as 240 elétricas primeiro, e o app é quem mostra onde há bike livre e vaga para devolver.
O horário também está no contrato: retirada no mínimo das 5h às 23h e devolução 24 horas por dia. Vale lembrar que a bike elétrica só pode andar na calçada onde a sinalização autorizar, regra que detalhamos em bike elétrica na calçada.
O que a experiência ensina

A bike compartilhada é o jeito mais barato de descobrir se a elétrica cabe na sua rotina. Se depois de algumas semanas você perceber que usa todo dia, a conta de ter a própria começa a fazer sentido. Reunimos as melhores bicicletas elétricas até R$ 6 mil, todas dentro da regra federal. E fica o aviso: desbloquear a velocidade de uma bike elétrica a transforma em ciclomotor perante a lei.
O capacete não é exigido pela regra federal para bicicleta, mas protege em qualquer velocidade. Se for testar as novas elétricas, vale ter o seu, como este capacete para bike elétrica no Mercado Livre.
Quando a Tembici divulgar o mapa das estações com elétricas e o plano com essas bikes, voltamos ao tema. Você mora no Recife? Conte para a gente qual trajeto faria primeiro com a bike elétrica.
Podemos receber comissão se você comprar pelos links, sem custo extra para você.