BH montou uma escola de patinete na orla da Pampulha, e o que se aprende lá vale para a cidade toda

No sábado, 10 de outubro de 2026, a orla da Lagoa da Pampulha foi marcada para virar sala de aula. A Prefeitura de Belo Horizonte levou a Escola de Direção Segura de Patinetes Elétricos para o “A Orla é Nossa”, o trecho da avenida que fecha para os carros aos sábados, segundo nota oficial publicada pela prefeitura em 9 de outubro. O treino gratuito estava programado das 9h às 12h, no Marco Zero, na Avenida Otacílio Negrão de Lima, 5.950.

A ideia diz muito sobre o momento do patinete nas cidades brasileiras: além de fiscalizar, ensinar. Pilotagem segura, onde circular e como respeitar as regras de trânsito eram os temas previstos para a manhã. E as regras passadas ali são as mesmas que valem para quem aluga um patinete em qualquer bairro de BH.

O que a prefeitura levou para a orla

O “A Orla é Nossa” reserva, todo sábado das 7h às 13h, um trecho de 3,4 km da Avenida Otacílio Negrão de Lima para caminhada, corrida, bicicleta e patinete elétrico. A pista fica interditada nos dois sentidos entre as rotatórias da Avenida Cremona e da Rua Sardenha, com BHTrans e Sumob, a superintendência de mobilidade da cidade, cuidando do trânsito.

Segundo a prefeitura, a Pampulha tem 20 estações de patinetes, quatro delas dentro desse trecho. Os patinetes compartilhados chegaram à região em 19 de julho, e a prefeitura informou na época que, em três meses de operação na cidade, já eram quase 600 mil viagens e mais de 100 mil usuários cadastrados. No mesmo dia da chegada à Pampulha, a JET, operadora do serviço, já tinha feito uma “Escola Segura de Patinetes” na Praça da Pampulha. É muita gente aprendendo na prática, e nem sempre do jeito certo.

Quem pode alugar e até que velocidade

O vídeo acima é uma reportagem da Itatiaia de maio de 2026, sobre a primeira edição da autoescola; não são imagens do sábado na orla.

A base das regras é a da Sumob. O aluguel é só para maiores de 18 anos, e o uso é individual, sem carona. A página oficial do serviço diz que, se um menor for flagrado pilotando, o usuário dono da conta pode ser bloqueado no aplicativo. A proibição da garupa, aliás, vai além do aluguel, como mostramos em se o patinete elétrico pode levar garupa.

A velocidade máxima é de 20 km/h. Nas primeiras dez corridas de cada usuário, o limite cai por controle remoto; a página da Sumob cita 15 km/h num trecho e 12 km/h em outro, sem esclarecer qual vale. Em calçadas e áreas de pedestres, o teto é de 6 km/h. Nas ciclovias e ciclofaixas, vale o limite da via, e nas ruas, só nas que têm limite de até 40 km/h.

No patinete alugado, quem segura o acelerador também é o aplicativo.

Onde o patinete compartilhado não entra em BH

Instrutor mostra a senhor como usar o freio do patinete elétrico à beira de lagoa
Pela Sumob, corredores do MOVE, faixas de ônibus, túneis, viadutos e a barragem da Pampulha ficam fora do mapa do patinete alugado.

A lista de lugares proibidos é o ponto que mais pega desavisado. Pela página da Sumob, o patinete compartilhado não pode circular nos corredores do MOVE, nas faixas exclusivas ou preferenciais de ônibus, em túneis e viadutos, nas avenidas Amazonas e Raja Gabaglia, no Anel Rodoviário e no trecho da barragem da Pampulha, na Avenida Pedro I.

Estacionar também tem regra. O patinete só pode ser devolvido nas estações virtuais indicadas no aplicativo, nunca em canteiros ou ciclofaixas. A operadora tem de 3 a 6 horas para recolher um equipamento largado fora do lugar. Hoje, segundo a mesma página, a JET é a única empresa credenciada, com cerca de 1.500 patinetes.

Capacete: recomendado, não obrigatório

Em BH, o capacete não é obrigatório para quem aluga, mas a Sumob recomenda o uso. É a mesma lógica da lei federal, que não impõe o equipamento ao patinete, como explicamos em se o patinete elétrico exige capacete. Algumas cidades decidiram diferente, e a regra pode mudar de uma divisa para outra.

Nossa opinião é direta: uma queda boba, num buraco ou na borda de uma calçada, já basta para a cabeça encontrar o chão. Se você ainda não tem um, reunimos os melhores capacetes para patinete e bike elétrica, e um capacete para patinete elétrico simples já protege bem mais do que nenhum.

Ninguém planeja cair, e é por isso que o capacete vai antes do primeiro metro.

Se a vontade for ter o seu

Jovem afivela o capacete ao lado de patinete elétrico em ciclovia à beira de lagoa
As regras do aluguel em BH valem para o serviço compartilhado; o patinete particular segue a Resolução 996 do Contran.

Muita gente aluga, gosta e começa a pensar em comprar. Vale saber que as regras da Sumob para o aluguel, como a idade de 18 anos, valem para o serviço compartilhado; a página não traz regras específicas para o patinete particular. O seu segue a Resolução 996 do Contran e as normas gerais da cidade, e menores de idade têm limites próprios, como mostramos em se criança pode andar de patinete e bike elétrica.

Para quem vai comprar o próprio patinete, dois pontos pesam na escolha: o orçamento e o peso de quem pilota. Reunimos os melhores patinetes elétricos até R$ 3 mil e, para quem é mais pesado, os melhores patinetes elétricos para adulto pesado, com a carga máxima declarada por cada fabricante.

BH levou a aula para onde o patinete já roda no lazer: num sábado, com a avenida fechada e tempo para errar sem risco. Ainda não sabemos quantas pessoas passaram pelo Marco Zero, e a prefeitura não divulgou se haverá novas turmas. Vamos acompanhar.

Ensinar junto com fiscalizar é a parte da regra que quase ninguém lembra de escrever.

Siga com a gente para saber das próximas turmas, e conte: na sua cidade, alguém já te ensinou a andar de patinete, ou foi na raça?

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