Viagem de carro elétrico: a regra dos 20% que evita o susto na estrada

A primeira viagem longa de carro elétrico costuma vir com um frio na barriga. Na cidade, a recarga em casa resolve tudo. Na estrada, a pergunta muda: onde vou carregar, e se o carregador estiver ocupado?

Para responder sem achismo, nós fomos atrás de quem já rodou muito. O jornal O Tempo publicou em 15 de julho de 2026 as dicas de Maurício Barros, recordista da maior viagem de carro elétrico da América do Sul: 18.233 km por seis países. A seguir, organizamos essas dicas em um roteiro prático, com o que dizem também a ABVE e a Ituran.

Primeiro, descobrir a autonomia real do seu carro

O número de autonomia da ficha técnica é um ponto de partida, não uma promessa. Segundo a reportagem, velocidade constante, relevo, temperatura e ar-condicionado mexem direto no consumo, e na estrada isso pesa mais do que na cidade.

A recomendação de Barros é começar pequeno. Antes de encarar 1.500 ou 2.000 km, ele sugere trajetos menores para entender como o carro se comporta fora do ambiente urbano. Nas palavras dele, a primeira viagem precisa servir para conhecer o carro na estrada.

Se a sua dúvida é quanto tempo cada parada vai levar, a resposta depende do tipo de carregador, e explicamos a diferença em quanto tempo demora para carregar um carro elétrico: AC ou DC.

Na estrada, a autonomia que vale é a que você mediu, não a que está no folheto.

Rota, aplicativos e um plano B para cada parada

A segunda dica é mapear os eletropostos antes de sair. A reportagem cita os aplicativos PlugShare e ABRP, que mostram carregadores no caminho e estimam as paradas conforme a autonomia do carro.

Barros alerta que deixar isso para a última hora pode dar mais trabalho, principalmente se o sinal de internet não ajudar. Por isso, vale baixar antes os aplicativos das empresas donas dos carregadores, fazer o cadastro e deixar o pagamento configurado em casa.

Para cada parada planejada, nós sugerimos anotar um segundo ponto próximo. Carregador ocupado ou fora do ar acontece, e quem tem um plano B segue viagem sem aflição.

A margem dos 20% e a recarga de 20% a 80%

Passageira confere no celular o mapa de pontos de recarga durante viagem de carro elétrico pela rodovia

Aqui está a regra que dá nome a este texto. Segundo a reportagem do O Tempo, a carga nunca deve cair abaixo de 20%. O exemplo dado é claro: se a autonomia estimada é de 300 km, programe a recarga por volta de 230 a 250 km.

O erro mais comum, segundo Barros, é deixar para pensar na recarga quando a bateria já está muito baixa. A Ituran, em guia publicado em 18 de setembro de 2026, vai na mesma linha: nunca chegar ao ponto de recarga com menos de 15% ou 20%.

A mesma Ituran explica por que não vale esperar a bateria encher. A recarga rápida desacelera depois dos 80%, então paradas mais curtas, carregando de 20% a 80%, costumam render mais na viagem. Se quiser entender o que isso significa para a vida útil da bateria, está em bateria de carro elétrico: quanto dura e quanto custa trocar.

Carregador portátil e horários fora do pico

A quarta dica é levar o carregador portátil como plano B para emergências. Segundo a reportagem, ele adiciona algo entre 3% e 5% de carga por hora, ou seja, é socorro, não solução. Quem ainda não tem costuma procurar um carregador portatil carro eletrico tipo 2, conferindo antes no manual qual conector e potência o carro aceita.

O cuidado com a tomada é sério. A orientação publicada é usar tomada de 20 amperes quando o equipamento trabalha com 13 amperes, e Barros é direto: nunca usar adaptador para ligar o carregador em tomada de menor capacidade, porque a instalação pode superaquecer.

A quinta dica é fugir dos horários de pico. Em feriado e férias, os carregadores dos corredores mais movimentados podem ter fila, e sair em horário alternativo reduz a espera.

Quantos carregadores existem no caminho

Homem conecta o cabo do carregador rápido a um carro elétrico num posto de estrada ao fim da tarde

A rede cresce rápido. Segundo dados da ABVE citados pelo O Tempo, o Brasil tinha 25,4 mil pontos de recarga públicos e semipúblicos até maio de 2026, sendo 8.601 carregadores rápidos (DC), com alta de 32,8% em três meses.

Mas número total não é distribuição. Como mostramos em o Brasil quase dobrou os eletropostos, mas a conta por carro piorou, a frota cresce junto, e há trechos com bem menos opção que outros. E, de volta para casa, vale comparar com o custo da recarga na garagem, que calculamos em quanto custa carregar carro elétrico em casa.

Viajar de elétrico é menos sobre coragem e mais sobre planejamento. Com rota, margem e um plano B, a estrada vira passeio. E você, já encarou uma viagem longa de carro elétrico? Conte para a gente qual foi o trecho mais tenso.

E, se algo der errado no caminho, saiba antes que tipo de guincho pedir: o guia de reboque de carro elétrico.