Muitas vezes basta encostar a bike elétrica no bicicletário para alguém soltar a frase. Às vezes vem em tom de piada, às vezes com um sorriso torto: “assim até eu”. Como se o motor apagasse o suor, a respiração curta na subida e a vontade de sair de casa.
A resposta mais honesta veio de quem mediu. Um estudo europeu comparou quem pedala com motor e quem pedala sem, e a atividade física da semana ficou parecida nos dois grupos. O motivo é simples: quem tem assistência anda mais longe.
“Isso é roubar”: o comentário que todo dono de bike elétrica já ouviu
A crítica parte de uma ideia que parece óbvia. Se o motor empurra, a perna trabalha menos, e trabalhar menos não pode ser exercício. Por quilômetro, a primeira parte é verdade. O motor tira peso de cada pedalada, principalmente nas subidas e nas arrancadas.
O erro está em olhar só para um quilômetro. Exercício se mede na semana, e a semana depende de quantas vezes a pessoa sai, de quanto ela roda e de quanto tempo ela se mantém pedalando. É aí que a conta muda de figura.
Exercício não se mede no quilômetro, se mede na semana.
O estudo que mediu de verdade: 7 cidades europeias
A pesquisa saiu em 2019 na revista Transportation Research Interdisciplinary Perspectives, assinada por Castro e colegas, dentro do consórcio europeu PASTA. Os pesquisadores acompanharam moradores de sete cidades da Europa e compararam a atividade física de quem usava bike elétrica com a de quem usava bike comum. O resumo do trabalho está publicado pela Queen’s University Belfast.
O resultado, medido em MET-minutos por semana (uma unidade que combina intensidade e tempo de atividade), foi de 4.463 entre os usuários de bike elétrica e 4.085 entre os de bike comum. Números na mesma faixa, e não o abismo que o “isso é roubar” sugere.
O vídeo abaixo, do canal Bike é Legal, encara a mesma provocação.
Menos esforço por km, mais km por dia: a conta que empata

O mesmo estudo explica por que o saldo fica parecido. A viagem média de quem usava bike elétrica foi de 9,4 km, contra 4,8 km na bike comum. Na distância diária por pessoa, foram 8,0 km com motor e 5,3 km sem.
Em outras palavras, quem tinha assistência não pedalou menos. Pedalou mais longe. Trajetos que pareciam grandes demais para a bicicleta, como ir ao trabalho do outro lado da cidade ou encarar o morro do bairro, passam a caber na rotina. E cada um desses quilômetros extras tem pedal, mesmo que mais leve.
Se você quer entender até onde a bateria leva nesse ritmo, reunimos os fatores em autonomia real da bike elétrica: quantos km ela faz.
O motor não tira o pedal do caminho, ele aumenta o caminho.
Como transformar o pedal assistido em treino
A boa notícia é que o controle fica na sua mão. Muitas bikes elétricas têm níveis de assistência, e eles funcionam como uma régua de esforço.
- Use o nível mais baixo no plano e guarde o mais alto para a subida que realmente pesa.
- Se a sua tiver marchas, troque como numa bike comum, mantendo uma cadência confortável em vez de deixar o motor fazer tudo.
- Alongue o trajeto quando der: o caminho pela ciclovia mais comprida vira volume de atividade sem você perceber.
- Experimente trechos com o motor desligado nos dias de disposição, sabendo que ele está lá se o cansaço apertar.
Se você tem alguma condição de saúde ou está voltando a se exercitar depois de muito tempo, vale conversar com o seu médico antes de definir a intensidade. A bike ajuda a dosar o esforço, mas quem conhece o seu corpo é quem acompanha você.
Para quem ela faz mais diferença: quem estava parado

Para o ciclista treinado, a bike elétrica é uma escolha entre outras. Para quem estava parado, ela pode ser a porta de entrada. A ladeira que travava, o medo de chegar suado ao trabalho, a dúvida se o fôlego aguenta a volta: o motor pode tirar justamente esses obstáculos do caminho.
A regra, em detalhe: bike elétrica.
E, muitas vezes, sair de casa pela primeira vez é o passo mais difícil. Para quem tem mais idade ou sente o joelho, juntamos o que observar na escolha em bicicleta elétrica para idoso e para quem tem dor no joelho, sempre lembrando que o médico é quem orienta o seu caso.
A melhor atividade física é aquela que vira hábito.
Da próxima vez que alguém disser que a sua bike é preguiça, não precisa discutir. Basta lembrar de onde você saiu, até onde você foi naquela manhã e da vontade de voltar amanhã. Isso tem cara de roubo?
O que resolve o conforto
Selim mais largo com gel é a troca que mais alivia em trajeto longo: Veja selins com gel.
Punho ergonômico tira o peso do pulso em quem anda todo dia: Veja punhos ergonômicos.
Os links acima levam a lojas parceiras. Se você comprar por eles, o Anda Elétrico recebe uma comissão – sem custo nenhum a mais para você. Isso paga o site e não muda o que escrevemos aqui.