A ficha da Caloi E-Vibe Rush promete até 25 km. A da Oggi Big Wheel 8.3, até 43 km. A da Sense Breeze, até 35 km. Todas com a palavra “até” na frente, e é nela que mora a distância entre o prospecto e a ladeira do seu bairro.
A resposta curta: o número da ficha é de laboratório, em terreno plano. Na rua, com subida, vento contra e o botão turbo apertado, o alcance pode cair pela metade, segundo o guia do Ciclismo pelo Mundo (04/09/2026), que se apoia nos fatores da calculadora da Bosch. A boa notícia é que a conta real cabe num guardanapo.
Por que a ficha e a rua não batem
A autonomia declarada sai de um teste controlado, e a rua não é controlada. O Ciclismo pelo Mundo (04/09/2026) lista o que derruba o alcance: peso do ciclista, ladeira, vento contra, paradas em semáforo, pneu murcho e cadência baixa. Cada fator tira um pouco. Somados, podem levar o número à metade do que está impresso na caixa.
A ladeira pesa porque o motor passa a carregar você e a bike contra a gravidade. Cada arrancada no semáforo puxa mais corrente do que manter a velocidade. Pneu murcho aumenta o atrito o tempo todo. E a pedalada pesada e lenta deixa o motor trabalhando sozinho enquanto a sua perna descansa.
Não é truque de fabricante. É que ninguém publica o pior cenário, e o pior cenário costuma ser o seu trajeto de volta para casa.
Três modelos, três contas
O canal Calil Sport Bike fez o que a ficha não faz: testou uma carga completa na rua. Vale assistir antes dos números abaixo.
A Caloi E-Vibe Rush tem bateria de 36 V e 4,9 Ah, o que dá 176,4 Wh, e custa R$ 6.990, segundo a Bikemagazine (nov/2025). A Caloi declara até 25 km. Dividindo a bateria pelo alcance, cada quilômetro consome cerca de 7,1 Wh, conforme o Ciclismo pelo Mundo (04/09/2026).
A Oggi Big Wheel 8.3 carrega 504 Wh e declara até 43 km, o que dá 11,7 Wh por quilômetro, também pelo Ciclismo pelo Mundo (04/09/2026). O motor maior gasta mais a cada quilômetro, mas a bateria quase três vezes maior leva mais longe. Mais força, mais consumo, mais alcance.
A Sense Breeze tem motor de 350 W, declara até 35 km e custa R$ 2.890, de acordo com o Brasil em Folhas (06/09/2026). A capacidade da bateria em Wh: o fabricante não declara. Sem esse número, a conta de consumo não fecha.
A regra de bolso: Wh dividido por 10

O Ciclismo pelo Mundo (04/09/2026) propõe uma regra simples: pegue os Wh da bateria e divida por 10. O resultado é a estimativa conservadora de alcance em assistência alta, aquela que você usa quando a subida aperta. Conta nossa com os dois modelos que declaram Wh: a Caloi, com 176,4 Wh, daria cerca de 17,6 km, contra os 25 km da ficha. A Oggi, com 504 Wh, daria cerca de 50 km, acima dos 43 km declarados.
A regra bate quase no número da Oggi e fica quase um terço abaixo do da Caloi. É nesse modo que a regra foi pensada, e a Caloi tem a bateria menor das três. Se você mora em ladeira, 17,6 km é o número para planejar.
Para quem vai comprar, o guia sugere a conta ao contrário: multiplique o trajeto diário por 10 e dobre. Conta nossa: 12 km por dia entre ida e volta viram 120 Wh, e dobrando, 240 Wh de bateria no mínimo. A dobra é a margem para a ladeira, o vento contra e o dia em que você esquece de carregar. Para esse trajeto, a Caloi ficaria abaixo do piso e a Oggi sobraria.
Quanto custa encher a bateria
Aqui a conta é a mais barata do artigo. Uma bateria de 504 Wh guarda 0,504 kWh. A Aneel projeta a tarifa residencial média em R$ 849 por MWh no fim de 2026, segundo a pv magazine Brasil (17/03/2026), o mesmo que R$ 0,849 por kWh. Conta nossa: 0,504 kWh vezes R$ 0,849 dá cerca de R$ 0,43 por carga completa da Oggi. A bateria da Caloi, com 0,1764 kWh, sai por cerca de R$ 0,15.
Pelo alcance declarado, a Oggi roda 43 km por R$ 0,43, um centavo por quilômetro, conta nossa, sem contar a perda do carregador. A energia é a parte mais barata da história. O que pesa é pneu, pastilha de freio e a troca da bateria lá na frente, e isso detalhamos em quanto custa manter uma bicicleta elétrica por mês.
Um aviso: a tarifa da Aneel é uma média projetada. A sua distribuidora cobra diferente, e a bandeira tarifária pode mudar. Olhe o kWh na sua fatura e refaça a conta.
Como esticar os km sem trocar de bike

O Ciclismo pelo Mundo (04/09/2026) reúne cinco hábitos que estendem o alcance sem gastar um real: modo eco na reta, assistência só na subida, pneu calibrado, cadência alta e bateria longe do calor. Nenhum deles exige oficina. Todos exigem lembrar.
Os dois primeiros atacam o motor no modo mais forte, o que mais puxa da bateria. Na reta, o eco basta. Na subida, sobe o nível e desce quando o terreno aplaina. O pneu calibrado corta o atrito, e a cadência alta mantém a sua perna trabalhando junto com o motor.
O último é o mais esquecido: o guia recomenda manter a bateria longe do calor. Se a sua é removível, leve para dentro de casa. Cinco hábitos, zero custo, e a ficha começa a chegar mais perto da rua.
Quantos km a sua faz com uma carga? A ficha dizia quanto?