A Prefeitura de Fortaleza descredenciou a Jetshr LTDA, a empresa por trás dos patinetes elétricos compartilhados da Jet, e mandou parar a operação de imediato. A Portaria nº 0194/2026 saiu no Diário Oficial do Município na terça-feira, 3 de novembro de 2026. Três dias depois, na sexta (06/11), parte dos patinetes ainda estava nas calçadas da cidade.
O fato foi publicado em 06/11/2026 pelo jornal O POVO, em reportagem de Gabriele Félix, com confirmação da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC). A Jet era a única empresa credenciada para o serviço na capital cearense, então quem usava o patinete alugado ficou, por ora, sem opção.
O que a prefeitura decidiu
Segundo a AMC, havia cerca de 980 patinetes em circulação antes da medida. A portaria determinou a paralisação imediata do serviço, e a autarquia informou que a empresa já começou a recolher os equipamentos, sem dar prazo para terminar.
Na sexta-feira, a reportagem ainda encontrou patinetes nas avenidas Antônio Sales e Desembargador Moreira, nas ruas João Cordeiro, Barão de Studart e Joaquim Nabuco e na Praça Portugal. O POVO procurou a Jetshr e não teve resposta até a publicação. Nós também não encontramos, até agora, nota da empresa sobre o caso.
A regra estava escrita desde 2025. O que faltou foi alguém cumprir a parte da calçada.
Por que a AMC tirou a Jet da cidade
A reportagem da TV Ceará mostra como Fortaleza regulamentou os patinetes compartilhados, regra que agora serviu de base para o descredenciamento.
A AMC listou quatro motivos: patinetes abandonados ou estacionados de forma irregular em calçadas e logradouros, falta de organização no estacionamento, falhas na sinalização das estações e ausência de dados obrigatórios, como a ocupação das estações e o registro de acidentes. A autarquia diz que notificou a empresa várias vezes antes de agir.
A base é o Decreto Municipal nº 16.261/2025, assinado em 8 de maio de 2025. Ele restringe o patinete compartilhado a ciclovias, ciclofaixas e vias autorizadas, veda o trânsito em calçadas e limita a 10 km/h perto de escolas, hospitais, praças e pontos turísticos, como explicou o Diário do Nordeste. A AMC afirmou que não pretende revisar essas regras. Outra empresa que cumpra o decreto pode pedir credenciamento.
O que muda para quem mora em Fortaleza

Para quem usava o patinete alugado no trajeto até o trabalho ou a faculdade, a mudança é imediata: não há outra empresa credenciada, então o serviço some até que alguém novo entre. Não há data para isso.
Para quem tem patinete próprio, nada muda na regra. O decreto de 2025 vale para patinetes alugados e particulares, segundo a AMC: calçada continua proibida, e o limite de 10 km/h nas áreas de muito pedestre também. Para quem pensa em trocar o aluguel pelo próprio, comparamos modelos com preço de loja na lista de patinete elétrico próprio até R$ 3 mil. Quem quiser ver o que está à venda agora pode buscar patinete elétrico adulto no Mercado Livre.
Sem empresa na rua, a regra da calçada passa a ser cobrada de quem tem o patinete na garagem.
A regra nacional que vale no país todo
A Resolução 996 do Contran, de 2023, classifica o patinete elétrico como equipamento autopropelido quando tem motor de até 1.000 W e velocidade de até 32 km/h. Nessa faixa, ele não precisa de placa nem de habilitação. A resolução permite a circulação em áreas de pedestres a até 6 km/h e em ciclovias e ciclofaixas a até 20 km/h, mas deixa para cada cidade decidir onde liberar. Fortaleza escolheu fechar a calçada.
Detalhamos os limites em velocidade máxima do patinete elétrico na ciclovia e na calçada e as autuações possíveis em as multas que o CTB cobra de quem anda de autopropelido.
O que a gente faria no lugar de quem usa patinete em Fortaleza

Andaríamos só em ciclovia e ciclofaixa, a no máximo 20 km/h (o teto do Contran para essas vias), reduziríamos para 10 km/h perto de escola e praça, e estacionaríamos sem bloquear a calçada. Foi exatamente o descuido com o estacionamento que derrubou a empresa.
Também usaríamos capacete em todo trajeto, mesmo curto. Comparamos modelos certificados na lista dos melhores capacetes para patinete e bike elétrica, e dá para conferir preços de capacete para patinete elétrico na Amazon.
O que acompanhar daqui para frente
Fortaleza não é caso isolado. A mesma empresa enfrenta cobrança em outras cidades, como contamos em Caruaru, onde a Câmara já pede novas regras, e opera em teste em Campo Grande, que deu mais 90 dias à Jet.
Vamos acompanhar se a Jet recorre, quando os últimos patinetes saem das calçadas e se outra empresa pede credenciamento à AMC.
E você, que mora em Fortaleza, usava o patinete alugado no dia a dia? Conte para a gente como vai fazer agora.
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