Quanto custa manter uma bicicleta elétrica por mês: fizemos a conta

Durante 30 dias, um caderno ficou aberto em cima da bancada da cozinha. Toda vez que a nossa scooter ou a bike elétrica emprestada de um amigo entrava na tomada, anotávamos a hora, o nível da bateria e quanto tempo ficou carregando. A ideia era descobrir quanto custa manter uma bicicleta elétrica por mês sem depender de folheto de loja.

A resposta veio antes de o mês acabar. A energia somada deu menos que um café de padaria. O que pesou de verdade foi outra coisa: o orçamento de uma relação nova (coroa, corrente e catraca) que o mecânico passou na segunda semana, e a bateria, que ainda não pediu troca, mas um dia vai pedir.

A parte que quase não aparece na conta de luz

A bateria de uma bike elétrica guarda pouca energia. Uma de 36 V e 10 Ah armazena 0,36 kWh. Uma de 48 V e 13 Ah, 0,624 kWh. É a capacidade toda, do zero ao cheio, e quase ninguém chega em casa com a bateria zerada.

Para colocar preço nisso, usamos a tarifa da Enel SP com impostos, de R$ 0,91 por kWh, conforme o levantamento do Custo Solar de 30 de março de 2026. A conta que fizemos no caderno foi esta:

  • Bateria 36 V 10 Ah: 0,36 kWh × R$ 0,91 = R$ 0,33 por carga completa
  • Bateria 48 V 13 Ah: 0,624 kWh × R$ 0,91 = R$ 0,57 por carga completa

Sem contar a perda do carregador, que existe e varia de modelo para modelo. A Moura chega a um número parecido por outro caminho: recarga completa de uma bateria de 400 a 500 Wh, a R$ 1,00 o kWh, sai por R$ 0,40 a R$ 0,50. No exemplo dela, quem roda 20 km por dia faz 15 recargas por mês e paga R$ 7,50 de energia.

A recarga de um mês inteiro custou menos que um café.

Quanto a bike elétrica pesa de verdade na conta de energia

A conta de luz da nossa casa não mudou de patamar em 30 dias de anotação, e isso bate com o que a reportagem do jornal A Gazeta encontrou ao medir o impacto da recarga de bicicleta elétrica e de outros eletrônicos domésticos. Vale os minutos antes de comprar um carregador mais potente achando que ele vai fazer diferença.

O que muda de uma cidade para outra é a tarifa. A média residencial nacional em 2026, sem impostos, é de R$ 0,813 por kWh segundo a Calculadora Energia; a Enel SP fica em R$ 0,789 antes dos impostos. Com os impostos, o valor sobe para os R$ 0,91 que usamos. Em qualquer uma dessas contas, a recarga continua na casa dos centavos.

Oficina: o que gasta igual a uma bike comum e o que gasta mais

Aqui a conversa fica mais cara. Os números de manutenção que usamos são todos da Moura: revisão geral a cada seis meses ou 1.000 km, de R$ 150 a R$ 300; pneus, de R$ 200 a R$ 500 por ano; freios, de R$ 50 a R$ 150 por ano. Uma relação completa passa de R$ 400, e foi exatamente esse orçamento que apareceu no nosso caderno.

Nossa opinião, depois de olhar a bike do amigo de perto: o motor não desgasta nada sozinho. O que desgasta é o conjunto de peso extra e velocidade constante. Uma bike elétrica chega aos 32 km/h com muito mais frequência do que uma comum, e freia com mais massa em cima. Pastilha e pneu sentem isso antes de qualquer outra peça.

O motor não gasta a bike; o peso e a velocidade é que gastam.

A bateria é o custo escondido

A bateria de lítio dura, segundo a Moura, de 500 a 1.000 ciclos de carga, algo entre três e cinco anos de uso. A reposição custa de R$ 1.500 a mais de R$ 4.000, dependendo da capacidade e da marca. Não encontramos preço por marca com fonte confiável para citar aqui, então ficamos na faixa da Moura.

Fizemos um cálculo nosso, que não está em nenhuma fonte: dividir essa faixa por 48 meses, um prazo no meio dos três a cinco anos. Dá uma “reserva mensal” de R$ 31 a R$ 83 que ninguém cobra hoje, mas que aparece de uma vez no dia em que a bateria não segura mais a carga. Quem pensa em usar um kit para transformar bicicleta comum em elétrica precisa colocar essa reserva na conta do mesmo jeito.

A bateria não aparece na conta do mês; aparece na do ano em que acaba.

A soma no fim do mês e o que ela não diz

Somando energia e manutenção, a Moura estima de R$ 40 a R$ 80 por mês. Se somarmos a nossa reserva da bateria, a faixa vai para algo entre R$ 71 e R$ 163. Não é uma conta fechada: falta seguro, falta depreciação e falta o que cada bike pede de diferente. Para esses itens não achamos dado com fonte, então não inventamos.

O que essa soma também não diz é se a bike compensa. Isso depende de quanto você gasta hoje para ir e voltar, e nós não temos esse número. Não prometemos economia. O que temos é a conta feita para alguém comparar com a própria realidade. Se a ideia é escolher uma bike com bateria maior ou menor, olhamos essa diferença de custo nas melhores bicicletas elétricas de 2026.

Você já fez a conta do que gasta hoje para ir e voltar do trabalho? Coloca ao lado desses números e nos conta o que apareceu. Se quiser receber os próximos guias do Anda Elétrico, assine a newsletter.