A fábrica virou a chave: uma em cada quatro bicicletas feitas em Manaus em setembro já era elétrica

Durante anos, a bike elétrica foi aquela novidade que a gente via passar na ciclovia e achava cara demais, rara demais, coisa de outro país. Os números que a indústria divulgou nesta semana mostram que essa fase acabou, pelo menos dentro das fábricas.

Segundo a Abraciclo, a associação dos fabricantes de duas rodas, as fábricas do Polo Industrial de Manaus produziram 9.482 bicicletas elétricas em setembro de 2026. No mesmo mês de 2025, tinham sido 3.940. É 2,4 vezes mais, uma alta de 140,7%, e a elétrica respondeu por 26,4% de todas as bicicletas montadas no polo no mês. Os dados estão no comunicado da Abraciclo publicado em 13 de outubro de 2026. Parte desses modelos já entrou no crédito federal: veja as bikes elétricas do Move Brasil para entregador.

Os números de setembro, um por um

No total, o polo de Manaus fabricou 35.914 bicicletas em setembro. O volume ficou 18,1% acima de setembro de 2025 e 1,1% acima de agosto deste ano, o segundo melhor mês de 2026, atrás só de julho, com 37.413 unidades, de acordo com a Abraciclo.

No acumulado de janeiro a setembro, saíram das linhas 272.018 bicicletas, alta de apenas 0,7% sobre o mesmo período do ano passado. Já as elétricas somaram 61.885 unidades em nove meses, 85,7% a mais que em 2025. Com isso, passaram a ocupar 22,8% da produção do ano, contra 12,3% no mesmo período anterior, e se firmaram como a segunda categoria mais fabricada no polo.

A bicicleta comum ficou parada; quem puxou a fila foi a elétrica.

A mountain bike caiu, a elétrica subiu

Para ter ideia de como é uma dessas linhas de montagem em Manaus, veja a fábrica da Sense:

A tabela da Abraciclo traz um contraste que chama a atenção. A mountain bike continua líder, com 13.206 unidades em setembro, mas caiu 22,7% em relação a setembro de 2025, quando foram 17.092. Um ano atrás, ela era 56,2% de tudo o que o polo produzia; agora é 36,8%.

No mesmo intervalo, a elétrica saltou de 13% para 26,4% da produção mensal. A distância entre as duas, que era de mais de 13 mil bicicletas em setembro do ano passado, caiu para 3.724.

Atenção a um ponto: a conta da Abraciclo cobre só as associadas que fabricam em Manaus. As bikes elétricas importadas, vendidas em lojas on-line e marketplaces, ficam de fora. Ou seja, o total de elétricas novas que chegam às ruas tende a ser maior do que mostra esta conta.

O que esse salto muda para quem pensa em comprar

Funcionários conferem a prancheta ao lado de fileiras de bicicletas embaladas na expedição de uma fábrica
Mais produção no Brasil costuma trazer mais peça de reposição e mais oficina por perto.

Mais produção nacional costuma significar mais modelos nas lojas, mais peça de reposição e mais oficina que sabe mexer no sistema elétrico. Para nós, esse é o ponto que mais pesa no dia a dia: a bike elétrica sai do nicho, e a tendência é a rede de assistência crescer junto.

Isso não quer dizer preço menor amanhã, e a Abraciclo não fala em preço no comunicado. Quem está escolhendo agora pode comparar modelos e faixas de valor no nosso guia com as melhores bicicletas elétricas até R$ 6 mil. E vale entender a peça que decide a sensação ao pedalar, que explicamos em a diferença entre o sensor de cadência e o de torque.

Comprar uma bike que tem peça e oficina no Brasil vale tanto quanto o motor.

Mais bike na rua, mais regra no caminho

O crescimento das fábricas acontece no mesmo momento em que as cidades apertam as regras. A própria Abraciclo anunciou, no mesmo comunicado, que lança em 3 de novembro o caderno técnico “Utilização de veículos elétricos de duas rodas nas cidades brasileiras”, voltado a órgãos de trânsito, empresas e condomínios, com classificação dos veículos, regras de circulação e infraestrutura.

Para quem vai às compras, a regra que mais importa é a do Contran: a bicicleta elétrica de verdade tem motor que só ajuda quando você pedala, até 1.000 W e 32 km/h, e assim dispensa carteira, como contamos em por que a bike elétrica dentro da regra não exige habilitação. Se o modelo vem com acelerador no guidão, a história muda, e mostramos o motivo em o botão que tira a bike da categoria de bicicleta.

Quem está por trás e o que vem por aí

Homem de capacete sorri parado com a bicicleta elétrica numa ciclofaixa vermelha de avenida arborizada
Com mais bikes elétricas saindo das fábricas, a ciclovia vai ficar mais cheia.

O comunicado também trouxe uma mudança de comando. Ronaldo Ribeiro, CEO da Caloi desde fevereiro de 2026, é o novo vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, no lugar de Fernando Rocha. A Caloi é dona de um dos modelos que já analisamos em a Caloi E-Vibe é boa?.

Para quem já pedala, o recado dos números é simples: vai ter mais gente dividindo a ciclovia com você. Capacete deixa de ser detalhe quando o fluxo aumenta, e vale procurar um capacete bicicleta eletrica com regulagem na nuca e luz traseira para ser visto no fim da tarde.

A bike elétrica saiu da vitrine e entrou na linha de montagem.

Lembramos de quando uma bike elétrica na ciclovia fazia todo mundo virar a cabeça. Pelo ritmo de setembro, ela está a menos de 4 mil unidades por mês de passar a mountain bike nas fábricas. Siga a gente para acompanhar os próximos números da indústria e conte: você já trocou a bike comum pela elétrica, ou ainda está pensando?

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