Suspensão em patinete elétrico vale a pena? Dianteira, traseira ou dupla

Vale a pena para quem roda em calçada quebrada, paralelepípedo ou asfalto remendado, todo dia. Para trajeto curto e liso, um pneu de ar de 10 polegadas costuma bastar. E, se for para ter só uma, a dianteira é a que mais faz diferença, porque é a roda que bate primeiro no buraco e manda o tranco direto para o guidão.

A suspensão não é item de luxo nem de lei. É uma troca: você ganha conforto e controle no piso ruim e paga em quilos, em peças que se desgastam e, quase sempre, em preço. A seguir, mostramos como ler essa troca na ficha técnica.

O que a suspensão faz, e o que ela não faz

Num patinete, a roda é pequena e o piloto fica em pé. Cada degrau de calçada vira um golpe que sobe pelos braços e pelos joelhos. A suspensão deixa a roda subir e descer sem levar o guidão junto, e mantém o pneu mais tempo em contato com o chão. Isso significa menos cansaço e mais aderência na hora de frear sobre o irregular.

O que ela não faz é transformar um patinete de roda pequena em veículo de terra. Ela também não corrige a tremedeira que aparece em velocidade na reta, que tem outras causas e que explicamos em o que é o speed wobble no patinete elétrico.

E não há exigência legal. A Resolução 996/2023 do Contran pede ao autopropelido indicador ou limitador de velocidade, campainha e luzes, mas não fala em suspensão.

A suspensão não deixa o patinete mais rápido. Deixa você inteiro no fim do trajeto.

Mola, hidráulica ou borracha: os três tipos que aparecem na ficha

Mola. É o tipo mais comum nos patinetes urbanos. Absorve bem o golpe, mas tende a devolver a energia em forma de balanço. A Xiaomi usa mola dupla na dianteira do Electric Scooter 5 e do 5 Pro, segundo as fichas da marca.

Hidráulica. Tem óleo dentro do amortecedor, que freia o retorno da mola e corta o efeito de pula-pula. Na ficha oficial do Segway Ninebot Max G2, a dianteira é hidráulica e a traseira é de mola.

Borracha ou elastômero. Um bloco de borracha comprimido faz o papel da mola. É simples e quase não pede manutenção, mas o curso é curto. A Minimotors, do Dualtron, usa cartuchos de borracha trocáveis em durezas diferentes, segundo a revendedora Dualtron UK.

Quando o anúncio diz só “suspensão”, sem tipo nem posição, pedimos ao vendedor a ficha do fabricante. Se ele não sabe responder, consideramos que o fabricante não declara.

Dianteira, traseira ou dupla

Homem agachado confere a roda dianteira de um patinete elétrico na calçada
A roda da frente é a que recebe o primeiro impacto do buraco.

Só dianteira. É a configuração de entrada, como a do Xiaomi Electric Scooter 5. Protege mãos, punhos e direção, que é onde o buraco assusta mais. Atrás, o conforto fica por conta do pneu.

Só traseira. É rara. Alivia os joelhos e a coluna, mas deixa a direção recebendo o tranco cheio.

Dupla. Frente e trás trabalham juntas, o patinete fica mais assentado e o piloto cansa menos em trajeto longo. É o caso do Xiaomi 5 Pro e do Ninebot Max G2. Comparamos os modelos que declaram suspensão na ficha em os melhores patinetes elétricos com suspensão.

Se for para escolher uma só, fique com a da frente: é ela que segura o guidão.

Pneu de ar, pneu maciço e suspensão: quem faz o quê

Antes de pagar por suspensão, olhe o pneu. O pneu de ar, com câmara ou sem câmara, já funciona como um primeiro amortecedor. O maciço não fura, mas passa quase todo o impacto para a estrutura. Detalhamos os três tipos em pneu maciço, com câmara ou tubeless.

O tamanho da roda também conta. Uma roda de 10 polegadas passa por cima do buraco que a de 8,5 sente inteiro, como mostramos em patinete elétrico aro 8,5 ou 10.

A regra prática é que pneu maciço pede suspensão. Já pneu de ar grande dá conta de muito trajeto urbano sem ela.

O preço em quilos e em manutenção

Homem ajeita o patinete elétrico na varanda do apartamento ao entardecer
Cada quilo da suspensão pesa quando o patinete sobe para casa.

A família da Xiaomi mostra a tendência. Pelas fichas da marca, o Electric Scooter 4 Pro, sem suspensão, pesa 17 kg. O Scooter 5, com mola na frente, pesa 20,1 kg. O 5 Pro, com suspensão nas duas rodas, chega a 22,4 kg. Parte dessa diferença vem de bateria, motor e quadro, não só do amortecedor, mas a direção é clara. O Ninebot Max G2 pesa 24,3 kg, segundo a ficha publicada pela Xataka.

Quem mora em prédio sem elevador sente cada um desses quilos. E quem é mais pesado deve conferir a carga máxima antes do conforto, como explicamos em quanto peso o patinete elétrico aguenta.

Na manutenção, nós olharíamos três sinais: folga ou estalo no garfo, óleo escorrendo no amortecedor hidráulico e borracha ressecada ou rachada. Nenhum fabricante consultado declara intervalo de revisão da suspensão, então vale perguntar à loja quem troca a peça e se ela existe no Brasil. Se o seu piso pede suspensão nas duas rodas, compare os patinetes com suspensão dupla pela ficha, não pela foto.

Conforto que só existe no térreo também é coisa para colocar na conta.

Quando dá para dispensar a suspensão

Se o trajeto é curto, a ciclovia é boa e o patinete precisa subir escada, um modelo sem suspensão e com pneu de ar de 10 polegadas costuma ser a escolha mais leve e mais barata. Se a rua é de paralelepípedo, a calçada é quebrada ou o trajeto passa de meia hora por dia, a suspensão deixa de ser detalhe e vira o motivo de você continuar usando o patinete daqui a um ano.

No fim, a melhor suspensão é a que combina com o chão que você pisa todos os dias. Siga o Anda Elétrico para receber os próximos guias, e conte para a gente: como é o piso do seu caminho?

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