Quem comprou um carro elétrico em 2023 e tenta vender agora costuma levar um susto na avaliação. Segundo o IBV Auto, índice do banco BV com dados até junho de 2026, o elétrico daquele ano-modelo já acumula 46,1% de desvalorização, informou a AutoIndústria em 6 de julho de 2026. O carro a combustão do mesmo ano perdeu 19,6%. É mais que o dobro.
Conferimos os números na fonte, e a leitura que fazemos é direta: a queda que assusta quem vende é a mesma que abre uma janela para quem quer comprar usado. Neste texto mostramos por que o elétrico perde mais, quais modelos seguram melhor o preço e o que as fontes que consultamos ainda não medem, que é o peso da bateria na hora da revenda.
O número que assusta quem vende
O levantamento do BV separa os carros por tipo de motor. Nos modelos 2023, o elétrico acumula 46,1% de perda, o híbrido 26,1% e o combustão 19,6%, segundo a AutoIndústria (06/07/2026). Quando o índice recua um ano, para os modelos 2022, a distância aumenta: o elétrico perdeu 50,5% e o combustão só 13,2%. Aí está a metade do título.
Fizemos a conta para dar tamanho ao número. Conta nossa: um carro comprado por R$ 150 mil que perca 46,1% sai da garagem valendo R$ 80.850. O mesmo valor num carro a combustão com perda de 19,6% vira R$ 120.600. São quase R$ 40 mil de diferença entre dois donos que pagaram igual. Os R$ 150 mil são só um exemplo redondo, não o preço de nenhum modelo.
Para quem está do lado de quem vende, é um golpe. Para quem está do lado de quem compra, é outra história, e é dela que vamos tratar mais adiante.
Por que o elétrico perde mais
O Canal VE fez uma boa radiografia do mercado de seminovos elétricos no Brasil, e vale assistir antes de seguir com os números.
A explicação do próprio BV não passa pela tecnologia. O banco aponta a queda de preço do carro novo, puxada pela concorrência e por estratégias comerciais agressivas das montadoras, somada a um estoque alto de importados chineses, segundo a AutoIndústria (06/07/2026). Quando o zero-quilômetro fica mais barato, o usado precisa descer junto para continuar competitivo.
Na nossa leitura, a pressão vem do preço do novo, não de o elétrico de 2023 ter ficado pior. Quem pagou o preço de lançamento naquela época está vendo o mercado reajustar tudo para baixo, e a tabela do usado vem atrás.
Os modelos que seguram melhor

A média esconde diferenças grandes entre modelos. A Gazeta do Povo publicou em 31 de julho de 2026 a perda de alguns nomes conhecidos: o BYD Dolphin Mini 2024 com 15,4%, o Volvo EX30 Core 2024 com 22,2% e o GWM Ora 03 2023 com até 22,1%.
Do lado da combustão, a mesma reportagem da Gazeta do Povo (31/07/2026) traz o Chevrolet Onix 2023 com 17,6% e o Hyundai HB20 2023 com 16,2%. Ou seja, um elétrico compacto pode ficar no mesmo patamar dos hatches mais vendidos do país.
Um cuidado na leitura: o Dolphin Mini e o EX30 da lista são 2024, e o Onix e o HB20 são 2023. Um ano a menos de uso pesa na conta, então a comparação não é direta. O que os números sugerem é que alguns elétricos seguram preço tão bem quanto hatches a combustão; a reportagem não aponta um motivo único.
A bateria no preço do usado
Aqui entra a dúvida que mais trava o comprador. Quanto vale a saúde da bateria de um elétrico usado? A resposta honesta é que nenhum dos levantamentos que consultamos mede isso. Não existe hoje, nas fontes que conferimos, um desconto padrão por porcentagem de bateria.
O caminho mais seguro para quem compra é pedir o relatório de saúde da bateria na concessionária da marca e conferir quanto tempo resta de garantia. As duas informações viram argumento na negociação. O desconto em reais, esse, fica por conta de cada negócio.
Por isso, antes de fechar negócio, vale entender quanto dura e quanto custa trocar a bateria de um carro elétrico. É a informação que transforma o medo em conta.
Quem ganha com a queda

Quem ganha é quem compra. Um elétrico 2023 com 46,1% de perda média, pelo IBV Auto (AutoIndústria, 06/07/2026), chega ao mercado de usados por perto da metade do que custou novo. Para quem roda muito na cidade e tem onde carregar, é uma porta de entrada bem mais barata que o zero-quilômetro.
Quem perde é quem precisa vender agora, e também quem compra novo esperando revender rápido. Se a lógica do BV se mantiver, o preço do novo continua ditando a queda do usado. Pelos números, pode fazer mais sentido pensar no elétrico como carro para ficar alguns anos do que para trocar no ano seguinte.
A conta completa: renault e Geely põem R$ 2 bi para fazer.
Você compraria um elétrico usado pela metade do preço ou a desvalorização ainda te faz ter medo da troca?
O que falta no carro elétrico de fábrica
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