A Renault e a Geely anunciaram na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, um investimento de R$ 2 bilhões para produzir um novo carro elétrico no Paraná. O anúncio saiu do Palácio do Planalto, em reunião com o presidente Lula, segundo a Exame (16/09/2026). Nós lemos as reportagens que saíram sobre o encontro e fomos atrás do que interessa a quem está de olho na tabela: o que sai da linha, quando e por quanto.
A resposta curta: o elétrico de entrada deixa de ser importado. O Geely EX2, hoje vendido a R$ 123.800 na versão Pro, começa a ser montado em São José dos Pinhais em dezembro. E um Renault 100% elétrico, feito sobre a plataforma da Geely, chega em 2027. O que isso faz com preço, IPVA e fila de entrega é o que tentamos responder abaixo.
O que foi anunciado no Planalto
Os R$ 2 bilhões são dinheiro novo. Somados ao que já estava previsto, o plano da Renault Geely no Brasil chega a R$ 5,8 bilhões entre 2025 e 2027, de acordo com a Exame (16/09/2026). Na mesa, além de Lula, estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Márcio Elias Rosa.
Pelas empresas, falaram François Provost, presidente da Renault, Ariel Montenegro, que comanda a Renault Geely Brasil, e os executivos Victor Yang e Tong Zhi Yuan, da Geely, ainda segundo a Exame (16/09/2026). Não foi anúncio de intenção: teve nome, valor e prazo. É o tipo de reunião que a gente costuma ver quando a fábrica já encomendou o ferramental.
O carro que sai da fábrica em dezembro
O primeiro produto da parceria a virar nacional é o Geely EX2, hatch compacto 100% elétrico. A versão Pro custa R$ 123.800, tem bateria de 39,4 kWh, 289 km de autonomia no ciclo Inmetro e 116 cv, conforme o levantamento do Mundo do Automóvel PCD (12/09/2026). Na mesma lista, só o Dolphin Mini custa menos.
A produção fica no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, na região de Curitiba, onde a Renault mantém duas fábricas e cerca de 5 mil funcionários, segundo o A Tarde (17/09/2026). A partir de dezembro, o EX2 que chega à concessionária sai dali, e não mais de um navio.
Antes de seguir, vale ver o carro andando. O canal A Roda testou o EX2 Pro e faz a pergunta que todo mundo faz na concessionária: ele bate os BYD?
O novo Renault elétrico de 2027

O segundo produto ainda não tem nome. É um Renault 100% elétrico sobre a plataforma GEA, da Geely, com produção prevista “no ano que vem”, segundo a Exame (16/09/2026). No mesmo 2027, a Renault promete um híbrido E-Tech 4×4 flex, também feito no Paraná.
O arranjo faz sentido quando se olha o capital. A Geely tem 26,4% da Renault do Brasil desde novembro de 2025, ainda pela Exame (16/09/2026). Ou seja, a chinesa não é fornecedora: é sócia. Plataforma, bateria e escala vêm dela; a rede de concessionárias e a marca conhecida, da francesa. Para quem compra, isso significa assistência da Renault num carro com a técnica da Geely.
O que muda para quem vai comprar
Aqui nós preferimos ser diretos: ninguém prometeu preço menor. A produção local tende a reduzir a exposição ao Imposto de Importação, cuja alíquota para elétricos vem subindo por etapas, mas quanto disso chega à etiqueta é decisão da empresa, e a empresa não declara. Se em dezembro o EX2 nacional custar os mesmos R$ 123.800, o anúncio terá sido bom para o Paraná e neutro para o seu bolso.
Onde há diferença concreta é no IPVA. O Paraná zera o imposto para carros 100% elétricos, e Minas Gerais só isenta eletrificado fabricado no próprio estado, segundo o Vrum (julho/2026). Um EX2 feito em São José dos Pinhais não ganha isenção extra por ser paranaense: a regra é do carro, não da fábrica. Para saber o que vale na sua placa, consultar a Sefaz do seu estado. E fila de entrega: produção local costuma encurtar, mas o fabricante não declara prazo.
Por que isso importa agora

Porque o mercado que a fábrica vai atender está no maior tamanho da história. Em agosto de 2026, os carros 100% elétricos somaram 27.166 emplacamentos, alta de 256% sobre agosto de 2025, e a frota eletrificada do país chegou a 950.183 veículos, segundo a ABVE (setembro/2026). Foi o mês do recorde de emplacamentos da BYD em agosto, com a chinesa levando seis em cada dez elétricos novos.
É esse domínio que a Renault Geely quer disputar. A BYD já produz em Camaçari, na Bahia. Agora o EX2 ganha uma fábrica no Sul. Pela primeira vez, dois elétricos de entrada saem de linhas brasileiras, e a briga de preço passa a ser entre fábricas daqui, não entre navios.
Você compraria um elétrico de entrada feito no Paraná em vez de um importado chinês, mesmo pelo mesmo preço?