Curitiba, que passou anos sem patinete compartilhado nas ruas, agora tem duas empresas credenciadas para operá-los. A URBS assinou em 16 de setembro de 2026 o contrato com a Whoosh, segundo apuração do Plural publicada em 17 de setembro. A empresa se junta à Jet, que roda na cidade desde julho. Conferimos o contrato, o preço público e as regras que valem para quem sobe no patinete.
O detalhe que mais nos chamou a atenção é o modelo. Não houve licitação: a cidade abriu um credenciamento e qualquer operadora que cumprir as exigências pode entrar. Curitiba virou, na prática, o laboratório brasileiro desse formato aberto. Explicamos abaixo o que foi assinado, como a operação funciona hoje e por que a segunda empresa muda a conta para o usuário.
O que foi assinado com a Whoosh
O contrato é o de número 968/2026, firmado entre a URBS e a Whoosh BR em 16 de setembro, com vigência de 60 meses, ou seja, até 2031, de acordo com o Plural (17/09/2026). A primeira operadora, a Jet, da JetSHR, tem o contrato 951/2026 e opera desde 2 de julho. As duas entraram pelo credenciamento 001/2026, aberto desde 27 de maio e que continua de portas abertas.
O que a cidade cobra é público. Cada operadora paga preço público de R$ 32 por patinete por ano mais R$ 0,20 por viagem, conforme o mesmo Plural (17/09/2026). O valor estimado do contrato da Whoosh nos 60 meses é de R$ 2,87 milhões. É pouco para uma prefeitura, mas o desenho importa mais que a cifra: a cidade não escolhe uma vencedora, ela define regras e deixa o mercado decidir quantas empresas cabem.
Como está a operação hoje
Os primeiros números da Jet dão uma ideia da demanda. Nas duas primeiras semanas de operação foram 28.600 viagens e 44 mil quilômetros rodados, segundo a Prefeitura de Curitiba (17/07/2026). A rede tem 100 pontos de retirada e devolução espalhados pela cidade. Sobre o preço da corrida, a operadora informa no aplicativo, e não encontramos tabela oficial publicada pela URBS.
Para quem nunca alugou um patinete, o processo é todo pelo celular: baixar o aplicativo, cadastrar, escanear o código no guidão e devolver num ponto demarcado. O vídeo abaixo mostra o passo a passo no app da Jet, do cadastro ao pagamento.
As regras que valem para você

As regras são as mesmas para as duas operadoras. Só maiores de 18 anos podem alugar, não pode levar carona e não pode usar o patinete para carga ou entrega, segundo a Prefeitura de Curitiba (17/07/2026). O limite de peso é de 120 kg. Na devolução, o usuário tira uma foto do patinete estacionado no ponto, e é essa foto que encerra a viagem.
A velocidade tem três degraus. O máximo é 20 km/h. Nas cinco primeiras viagens de cada usuário o patinete fica travado em 15 km/h, e em área compartilhada com pedestre o limite cai para 6 km/h. A lógica é simples: quem está começando anda mais devagar, e quem cruza a calçada de um parque anda no passo de quem caminha.
Onde pode andar: ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Onde não pode: na Rua XV de Novembro e nas canaletas de ônibus, ainda pela Prefeitura (17/07/2026). Quem conhece Curitiba sabe que isso tira o patinete do calçadão mais movimentado do centro e das pistas exclusivas do BRT.
A base legal do credenciamento
O credenciamento se apoia no Decreto Municipal 450/2026, de 1º de abril, conforme o Plural (17/09/2026). Acima dele estão a Resolução 996/2023 do Contran, que define os autopropelidos e os limites de velocidade e circulação, e a Lei 12.587/2012, a Política Nacional de Mobilidade Urbana.
Quem fiscaliza é a URBS. Ela aplica as sanções previstas no contrato às operadoras, e o usuário que descumprir as regras responde pelo aplicativo, com bloqueio de conta. Nós avisamos: a multa de trânsito para autopropelido é tema em aberto na maioria das cidades, e o texto do decreto é o que vale em Curitiba.
O que a Whoosh muda na prática

Segunda operadora significa mais patinete na rua e, o que interessa mais, concorrência de preço. Com uma empresa só, o usuário paga o que o aplicativo mostra. Com duas, ele compara, e a tendência é que promoções e planos mensais apareçam primeiro onde há disputa.
Nossa leitura vai um passo além. O credenciamento 001/2026 continua aberto, e o custo de entrada é baixo: R$ 32 por patinete por ano e R$ 0,20 por viagem. Isso abre a porta para uma terceira operadora, e a URBS não precisa de licitação nova para recebê-la. Curitiba vai passar de zero patinete compartilhado a um mercado disputado em dois anos.
Para quem cansou de alugar, um patinete elétrico próprio segue as mesmas regras do Contran e não depende de ponto de devolução nem de foto no fim da corrida.
Na sua cidade, patinete compartilhado voltou ou sumiu de vez? Conta pra gente qual empresa opera aí.