Porto Alegre abre a porta para novas empresas de patinete, e a regra dos 18 anos vale até para o seu

Quem mora em Porto Alegre já se acostumou com os patinetes amarelos da Whoosh e azuis da Jet pelas ruas. Na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, a prefeitura mexeu nesse tabuleiro: abriu, por cinco anos, um credenciamento para qualquer empresa que queira alugar bicicleta ou patinete pelo aplicativo na cidade.

A notícia parece só de interesse das empresas, mas não é. O anúncio oficial repetiu as regras de circulação que a capital gaúcha adotou em julho, e uma delas pega muita gente de surpresa: na rua, patinete elétrico é só para maiores de 18 anos. Isso vale para o compartilhado e também para o patinete que você comprou.

O que a prefeitura publicou em 8 de outubro

Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), o Edital de Chamamento Público nº 006/2026 saiu no Diário Oficial de Porto Alegre e fica aberto por 60 meses. Vale para bicicletas comuns, bikes elétricas e patinetes elétricos sem estação física, retirados e devolvidos pelo celular. O credenciamento, diz a prefeitura, não gera custo para o município.

As empresas que já operam precisam aderir às novas regras, e as novas podem pedir entrada a qualquer momento nesses cinco anos, pelo Portal de Compras Públicas. Segundo a página de transporte da prefeitura, com dados de julho de 2025, duas operadoras estavam ativas, a Whoosh, desde outubro de 2023, e a Jet, desde abril de 2024, com cerca de 2,3 mil veículos disponíveis. A Whoosh, aliás, já anunciou planos de expansão no país, como contamos em o investimento de R$ 100 milhões para dobrar a frota de patinetes.

O secretário de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior, resumiu a intenção como garantir “um serviço mais organizado, seguro e com retorno para a cidade”.

Os 5% da receita que voltam para a ciclovia

O “retorno” tem número. O Decreto nº 23.782, de 19 de maio de 2026, que o edital segue, obriga cada operadora a destinar 5% da receita bruta operacional obtida em Porto Alegre, apurada a cada trimestre, para a infraestrutura de mobilidade ativa. O dinheiro vai para reforma, sinalização e pintura de ciclovias, ciclofaixas e calçadas indicadas pela prefeitura, e precisa ser aplicado em até seis meses depois do fim de cada trimestre.

Para nós, é a parte mais interessante da notícia. Quem aluga um patinete passa a ajudar, indiretamente, a pagar a ciclofaixa por onde ele mesmo roda.

Cada corrida paga um pedacinho da ciclovia.

Patinete atravessado na calçada tem prazo para sumir

Funcionário de colete retira patinete elétrico do piso tátil enquanto senhora de bengala observa
No centro, a empresa tem até uma hora para tirar o patinete do caminho depois do aviso.

A reclamação mais comum contra os compartilhados é o patinete largado no meio do caminho. O decreto dá prazo: depois de notificada pela prefeitura ou de uma denúncia da população, a empresa tem até uma hora para recolher o equipamento na área central, delimitada a partir da orla pela 3ª Perimetral e pelas avenidas Nonoai, Campos Velho e Pedro Américo Leal. No resto da cidade, o prazo é de até duas horas.

As vagas virtuais também ganham distância mínima: 100 metros das estações fixas de bicicleta, 250 metros entre estações da mesma empresa e 100 metros entre estações de empresas diferentes. E as operadoras terão de abrir à prefeitura os dados de operação em tempo real. Quem descumprir pode receber de advertência a cassação do credenciamento, com redução de frota no meio do caminho.

A regra dos 18 anos vale também para o patinete que você comprou

Este é o trecho que pesa para qualquer dono de patinete na capital. O Decreto nº 23.848, de 9 de julho de 2026, define as regras de circulação, e o seu artigo 9º diz que elas valem “independentemente da natureza pública ou privada do equipamento”.

Na prática, segundo o decreto:

  • nas vias e logradouros públicos, só maiores de 18 anos podem conduzir; em parques e praças, a idade mínima cai para 14;
  • 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas, 10 km/h na Orla do Guaíba e 6 km/h em parques, praças e áreas com muitos pedestres;
  • na pista, só em vias de até 40 km/h, a no máximo 30 km/h nas locais e 32 km/h nas coletoras;
  • na faixa de pedestres, é preciso descer e empurrar;
  • uma pessoa por patinete, e luz acesa à noite é item obrigatório.

A fiscalização é da EPTC, que pode orientar, advertir e reter o patinete temporariamente. Na lei federal não há idade mínima para o autopropelido, por isso a regra muda de cidade para cidade, como explicamos em o que a lei diz sobre criança em patinete e bike elétrica.

Antes de comprar o seu, confira estes três pontos

Pai entrega capacete ao filho adolescente ao lado de um patinete elétrico novo no quintal de casa
Em Porto Alegre, quem tem menos de 18 anos só pode pilotar em parque e praça.

Se a regra de Porto Alegre fez você repensar a compra, três conferências evitam dor de cabeça. A primeira é quem vai pilotar: um patinete para o filho de 15 anos, na capital gaúcha, só pode rodar em parque e praça. A segunda é a ficha técnica: o decreto exige que o equipamento siga a Resolução 996 do Contran, e quem passa dos limites deixa de ser autopropelido, com as consequências que listamos em as multas que o CTB cobra do autopropelido. A terceira é a luz, obrigatória à noite; se o modelo vem fraco de fábrica, dá para reforçar com uma luz dianteira patinete eletrico.

Para quem está escolhendo agora, reunimos os melhores patinetes elétricos até R$ 3 mil, com ficha técnica e preço conferidos. E vale ler também onde o patinete pode andar na rua e o que mudou em 2026.

Porto Alegre escolheu um caminho claro: mais empresas, com mais regra e com parte do dinheiro voltando para a rua. Se der certo, outras capitais podem seguir o mesmo caminho. Siga com a gente para acompanhar, e conte: na sua cidade, já existe idade mínima para o patinete?