Depois de meses seguidos de recorde, o carro 100% elétrico tirou o pé em setembro. Foram cerca de 22 mil unidades vendidas no mês, contra 27 mil em agosto. No mesmo período, o híbrido fez o caminho contrário e subiu.
Os números são da Fenabrave, a federação das concessionárias, e foram reunidos pelo site AutoIndústria em reportagem de 5 de outubro de 2026. A seguir, nós separamos o que mudou no mês, o que continua igual no ano e o que dá, ou não dá, para concluir de uma queda só.
De 27 mil para 22 mil em um mês
A queda do elétrico puro em setembro foi de 18,5% sobre agosto, segundo os dados da Fenabrave publicados pelo AutoIndústria. Em números redondos, saímos de 27 mil para 22 mil carros que rodam só na tomada.
O tombo chama atenção porque o mercado como um todo foi bem. A mesma Fenabrave contou 509.686 veículos emplacados em setembro, somando todos os tipos, um recorde para o mês e alta de 8,32% sobre setembro de 2025, conforme a Agência Brasil. Automóveis e comerciais leves subiram 16,16% na comparação anual.
Ou seja: não faltou gente comprando carro. Faltou, neste mês, gente escolhendo o elétrico puro. A reportagem não aponta a causa dessa queda, e nós não vamos inventar uma.
O mercado bateu recorde em setembro. O elétrico puro foi um dos poucos que andaram para trás.
No ano, o elétrico ainda triplica
Um mês fraco não apaga o ano. De janeiro a setembro, foram 164,9 mil carros elétricos vendidos, contra 52,8 mil no mesmo período de 2025. É uma alta de 212%, mais que o triplo, sempre segundo a Fenabrave via AutoIndústria.
Esse salto ajuda a explicar outro marco que contamos aqui: o país passou de 1 milhão de carros eletrificados na conta da ABVE. Boa parte desse volume nasceu em 2026.
Se você está de olho em entrar nesse mercado pelo preço, vale ver também qual é o carro elétrico mais barato e quanto ele custa por km.
O híbrido subiu enquanto o elétrico caiu

Do outro lado da balança, os híbridos venderam 35,4 mil unidades em setembro, 7,3% a mais que em agosto. No acumulado do ano, chegaram a 260,8 mil, alta de 90% sobre os 136,9 mil de 2025.
Somando elétricos e híbridos, os eletrificados fecharam setembro com cerca de 60 mil unidades, recuo de 3,85% no mês. No ano, são 425,7 mil, contra 189,8 mil de janeiro a setembro de 2025: alta de 124,2%.
A fatia dos eletrificados no total de carros vendidos já foi tema aqui quando mostramos que quase 1 em cada 4 carros vendidos em setembro era eletrificado. O dado novo é a divisão interna: dentro desse grupo, o híbrido ganhou espaço no mês.
BYD na frente nos dois lados, Geely e GWM atrás
No acumulado do ano, a BYD lidera tanto entre os elétricos, com 65,4 mil unidades, quanto entre os híbridos, com 103,2 mil, de acordo com a Fenabrave. Entre os elétricos, a segunda colocada é a Geely, com 31,6 mil. Entre os híbridos, a vice é a GWM, com 44,5 mil.
A reportagem atribui o crescimento do ano à maior oferta de produtos no Brasil, com mais categorias e, principalmente, mais faixas de preço. É a leitura da fonte, não uma medição nossa.
Para quem pensa em revender daqui a alguns anos, a briga de preços entre marcas tem outro lado, que explicamos em carro elétrico desvaloriza na revenda?.
O que um mês fraco diz, e o que não diz

Um mês de queda não é tendência. Pode ser ajuste de estoque, efeito de calendário ou simples oscilação, e a fonte não diz qual. O que os números mostram com segurança é que, no ano, o elétrico puro cresce mais rápido que o híbrido, 212% contra 90%, mesmo com setembro no vermelho.
O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, disse à Agência Brasil que o mercado continua mostrando demanda, mesmo com o crédito ainda difícil. Para quem já tem elétrico, a recarga em casa continua a parte mais prática da rotina; quem roda longe às vezes leva junto um carregador portatil carro eletrico tipo 2, sempre conferindo a compatibilidade no manual do carro.
Outubro vai dizer se setembro foi tropeço ou mudança de rumo. Nós vamos acompanhar os próximos números da Fenabrave e contar aqui. E você: se fosse trocar de carro hoje, iria de elétrico puro ou de híbrido?