Os dois carros elétricos mais disputados da faixa de R$ 120 mil custam quase a mesma coisa na tabela. Na loja, a história é outra. Uma apuração da Auto+ TV, publicada em 29 de setembro de 2026, encontrou o BYD Dolphin Mini sendo vendido até R$ 8 mil acima do preço oficial e o Geely EX2 com mais de R$ 12 mil de sobrepreço.
A diferença entre os dois não está no carro. Está na fila. Lemos os números da reportagem para explicar o que está acontecendo e como não cair nessa sem perceber.
O que a apuração encontrou
Os números abaixo são da Auto+ TV (29/09/2026):
| BYD Dolphin Mini GS | Geely EX2 | |
|---|---|---|
| Preço oficial | R$ 119.990 | R$ 123.800 (Pro) e a partir de R$ 136.800 (Max) |
| Preço visto em lojas | R$ 123.990 a R$ 127.990 | R$ 146.990 a R$ 148.990 |
| Espera para entrega | cerca de 15 dias | de 60 a 120 dias |
| Vendas em 2026 | mais de 51 mil | 26,5 mil |
No caso do EX2, a reportagem registrou ainda a exigência de um sinal de R$ 5.000, abatido no valor final, para entrar na fila.
Por que as filas são tão diferentes
O Dolphin Mini é montado em Camaçari, na Bahia, desde 2025. Há estoque no país, e quando o carro está disponível, a loja tem pouco espaço para cobrar a mais.
O EX2 ainda vem da China. Segundo a Auto+ TV, isso só muda em dezembro, quando começa a produção em São José dos Pinhais, no Paraná. Até lá, cada lote depende de navio, e a procura corre na frente da oferta. O vídeo abaixo compara os dois carros lado a lado, para quem ainda está escolhendo.
A demanda do EX2 também não é pequena. A reportagem mostra 4.383 unidades em junho, 5.897 em julho e 5.804 em agosto. O Dolphin Mini fez 8.299 só em agosto. São os dois carros que puxam a entrada do mercado elétrico brasileiro.
Onde o sobrepreço aparece

A apuração mostra um padrão geográfico. O preço acima da tabela se concentra em cidades menores e fora dos grandes centros de distribuição, com Natal e Recife citadas como exemplos.
A lógica é a de sempre. Onde chegam poucos carros por mês, quem tem uma unidade pronta para entregar consegue cobrar pela pressa. Revendedores independentes compram o carro, colocam no pátio e oferecem para quem não quer esperar quatro meses.
Não é golpe, e não há regra que proíba uma loja independente de pedir o preço que quiser. Mas é dinheiro que não volta. Na revenda, ninguém vai pagar a mais porque você pagou ágio. Nós já mostramos como isso pesa em quanto um carro elétrico desvaloriza.
O que muda quando o EX2 for feito no Paraná
Se a produção nacional começar em dezembro como informado, a tendência é a fila encurtar ao longo de 2027. Mais carro disponível costuma derrubar o sobrepreço primeiro nas capitais e, com algum atraso, no interior.
Isso não é garantia. Não há, nas fontes que consultamos, volume de produção prometido para a fábrica paranaense. O que dá para dizer é que o motivo principal da fila, a dependência de importação, tem data para diminuir.
Como não pagar ágio sem perceber

Algumas perguntas simples evitam a maior parte das surpresas:
- A loja é concessionária autorizada da marca? Confira no site oficial. Revenda independente pode ser honesta, mas trabalha com outra margem.
- O preço anunciado é o preço público sugerido? Compare com o valor do site da fabricante no dia.
- O sinal é abatido e devolvido se a entrega atrasar? Peça isso por escrito, com prazo.
- Qual versão está no contrato? No Dolphin Mini, a GL custa R$ 118.990 e a GS, R$ 119.990, segundo o Terra (23/09/2026). A GS tem 280 km de autonomia e a GL, 224 km, pelo Inmetro.
O que nós faríamos hoje
Na nossa leitura, pagar R$ 12 mil para pular uma fila de três meses só faz sentido se o carro for ferramenta de trabalho e cada semana parada custar dinheiro. Para uso pessoal, esperar costuma sair mais barato.
E vale lembrar que os dois não são as únicas portas de entrada. A lista completa com preço de tabela está no nosso guia de carro elétrico mais barato de 2026.
Você pagaria a mais para levar o carro amanhã, ou prefere esperar a fila andar?
O que falta no carro elétrico de fábrica
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