Três dias de fiscalização de bike elétrica em SP: 86 abordagens, nenhuma multa e um pedido de audiência na Câmara

Quem passou pela ciclovia da Faria Lima nesta semana viu a cena: colete laranja, aparelho medindo velocidade e um agente acenando para alguém reduzir. O medo da multa no CPF correu pelos grupos de entregadores. Os números da primeira semana contam outra história.

A CET fez 86 abordagens entre a terça (13/10) e a quinta (15/10), sem nenhuma autuação, segundo a prefeitura, em dado divulgado pelo Metrópoles em 17/10/2026. No mesmo dia 15, a Comissão de Trânsito da Câmara Municipal aprovou uma audiência pública sobre o jeito como essa fiscalização está sendo feita, segundo o portal oficial da Câmara Municipal de São Paulo. Já contamos que a fiscalização de patinete e bike elétrica começou em SP, e a multa agora tem o seu CPF.

O que a primeira semana mostrou

As abordagens ficaram concentradas na ciclovia da Avenida Brigadeiro Faria Lima. Na sexta (16/10), equipes da CET e da Guarda Civil Metropolitana estavam perto da Rua dos Pinheiros, com medidores de velocidade nos dois sentidos.

O roteiro é simples: o aparelho mostra quem passou do limite, um agente avisa o colega que está mais à frente e esse colega tenta parar o condutor. Segundo o Metrópoles, só é abordado quem passa muito do limite ou faz manobra perigosa. A CET disse que, nesta fase, o objetivo é atingir o maior número de pessoas, e que as ações vão rodar por outros pontos da cidade.

A Paulista, que tem muito movimento de bike elétrica, ainda não tinha equipe fixa.

Na primeira semana, quem foi parado saiu com orientação, não com boleto.

Por que a velocidade, sozinha, não vira multa

Esta reportagem do UOL, de 28/08/2026, mostra a CET testando o limite de velocidade nas ciclovias, ainda na fase educativa:

Aqui está o detalhe que pouca gente entendeu. A CET afirmou que não há enquadramento para multa por velocidade nem emplacamento nesses veículos. O medidor da ciclovia orienta, mas não gera multa automática.

A multa que existe é a do artigo 255 do Código de Trânsito: conduzir bicicleta em passeio onde ela não é permitida, ou de forma agressiva. São R$ 130,16, infração média, e ela só sai se o agente parar a pessoa e anotar o CPF. Não há pontos na carteira, porque a bike elétrica não exige CNH.

Os limites da Resolução Contran 996/2023 continuam valendo: 20 km/h em ciclovia e ciclofaixa na pista e 6 km/h onde se divide o espaço com pedestres. Patinete não entra na calçada; a bike elétrica entra, a até 6 km/h, como explicamos em bike elétrica na calçada: a multa de R$ 130,16 e a única exceção que a lei aceita.

A Câmara quer ouvir quem pedala

Ciclistas e entregadores de capacete acompanham uma audiência pública no plenário de uma câmara municipal
A Comissão de Trânsito da Câmara Municipal de São Paulo aprovou em 15/10 uma audiência pública sobre a fiscalização.

O requerimento aprovado na quinta é da vereadora Renata Falzoni (PSB). A audiência vai discutir a implantação e a fiscalização das regras para bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos. A data ainda não foi marcada.

Na justificativa, a vereadora disse que já há relatos de “abusos de pequeno poder” nas abordagens e defendeu uma política pública de inclusão, não de exclusão. Na mesma reunião, a comissão também aprovou um convite ao Instituto Cordial para apresentar o estudo “Atrai Bikes”, sobre as condições das ciclovias da cidade.

Para nós, é o movimento certo. A regra só pega quando quem roda todo dia entende o porquê dela, e a Câmara é o lugar de levar a reclamação com nome e endereço.

Fiscalização que só orienta precisa ser, ao menos, igual para todo mundo.

O que vale para quem roda na ciclovia hoje

Se você usa bike elétrica para trabalhar, três pontos pesam mais do que a velocidade no medidor.

O primeiro é a calçada sem ciclofaixa: é ali que a multa do artigo 255 aparece. O segundo é o acelerador. Pela Contran 996, bicicleta elétrica tem pedal assistido, motor de até 1.000 W que só ajuda até 32 km/h e nenhum acelerador. Com acelerador, dentro de 1.000 W e 32 km/h, ela tende a virar autopropelido; acima disso, ciclomotor, como mostramos em o botão no guidão que pode tirar sua bike elétrica da categoria de bicicleta. O terceiro é a contramão: a mesma reportagem registrou um entregador que escapou da equipe pedalando contra o fluxo.

Quem roda de patinete vive o mesmo dilema, porque muitos modelos de prateleira passam dos 20 km/h de fábrica. Antes de comprar, vale ver se o Xiaomi 4 Pro é bom?, com a ficha do fabricante e a velocidade máxima de cada modo. E, para o dia a dia na ciclovia, um capacete com luz traseira ajuda mais do que qualquer medidor.

O que fica para as próximas semanas

Mulher de capacete pedala uma bicicleta elétrica devagar por uma ciclovia arborizada de São Paulo num dia nublado
Na ciclovia na pista, o limite para bike elétrica e patinete em São Paulo é de 20 km/h.

A fase educativa não tem prazo anunciado para acabar, e as equipes vão trocar de ponto. Também segue em aberto o recolhimento do equipamento, que a cidade ainda montava quando a fiscalização começou. Se a dúvida é sobre o calendário e as regras de cada via, reveja dia 12 de outubro: o que muda para patinete e bike elétrica em SP.

Quem faz entrega tem mais motivo para prestar atenção: a bike é ferramenta de trabalho, e uma multa de R$ 130,16 pesa no fim do mês. Fizemos a conta de alugar ou comprar em bike elétrica para entregas: alugar a R$ 95 ou comprar a R$ 5 mil?.

A primeira semana foi de conversa. A próxima pode não ser.

Oitenta e seis paradas e nenhuma multa mostram uma cidade ainda aprendendo a dividir a ciclovia. Você já foi parado na Faria Lima, ou viu alguém ser? Conte para nós como foi a abordagem.

Podemos receber comissão se você comprar pelos links, sem custo extra para você.