Quem vive de entrega faz uma conta que a maioria dos ciclistas nunca fez: quanto custa cada quilômetro pedalado. Com o iFood Pedal cobrando cerca de R$ 95 por semana pela e-bike alugada, segundo o Manual da eBike (05/05/2026), e uma bicicleta elétrica de entrada saindo entre R$ 3.500 e R$ 5.000 na tabela do eBike Reviews (05/09/2026), a pergunta é direta: vale mais alugar ou comprar?
Nós fizemos a conta com os números que existem, sem chute. Apuramos o preço do aluguel, a autonomia real com mochila cheia, o custo de manter uma bike própria e o que os R$ 340 milhões do BNDES devem mudar no preço. No fim, mostramos em quantos meses a e-bike própria se paga e para quem o aluguel ainda é a escolha certa.
Quanto custa alugar hoje
O iFood Pedal funciona em parceria com a Tembici. O plano semanal da e-bike sai por cerca de R$ 95, o que dá R$ 13,50 por dia, de acordo com o Manual da eBike (05/05/2026). Quem fecha o plano de 14 dias paga R$ 130, e a diária cai para R$ 9,30. A bike mecânica, sem motor, custa entre R$ 32 e R$ 35 por semana na mesma apuração.
Há uma segunda operadora, a Bliv, que cobra R$ 380 por mês pela e-bike, ou R$ 12,70 por dia, ainda segundo o Manual da eBike. Somando as semanas do ano, o site estima o custo anual do aluguel de e-bike em R$ 4.940. É esse número que carregamos até o fim do texto como régua contra a bike própria.
Um detalhe que pesa: os R$ 95 são a referência de maio de 2026, não tabela fixa; confira o valor vigente no aplicativo.
Autonomia real na rua
Antes de olhar preço de compra, vale entender quanto uma e-bike rende de fato num dia de trabalho. O canal Magnus Tech testou bike elétrica para entrega na prática e mostra o que muda quando a mochila está cheia e a rua sobe.
A e-bike do iFood Pedal faz até 60 km por carga em condição ideal, mas na prática, com peso na mochila e subida no caminho, o número fica entre 35 e 50 km, segundo o Manual da eBike. Para quem roda 40 km num turno, isso significa uma carga por dia, sem folga para o imprevisto. Dois turnos exigem ponto de troca ou recarga no meio do caminho.
Nas bikes à venda, o quadro é parecido. A Sense Impulse E-Delivery tem motor de 250 W e bateria de 36 V e 14 Ah, com autonomia declarada de 45 a 60 km, de acordo com o eBike Reviews (atualizado em 05/09/2026). A Caloi E-Vibe City Tour usa motor de 350 W e faz de 35 a 50 km, na mesma fonte. Uma bike de 45 km reais cobre um turno cheio; abaixo disso, o entregador para no meio do dia para carregar.
Quanto custa comprar a sua

O eBike Reviews (05/09/2026) divide o mercado em três faixas. A de entrada vai de R$ 3.500 a R$ 5.000. A intermediária fica entre R$ 5.500 e R$ 8.000. A profissional começa acima de R$ 8.000.
Um exemplo concreto: a Caloi E-Vibe Rush custa R$ 5.490 de tabela, segundo o eBike Reviews. Em cima disso entra a manutenção, que o Manual da eBike estima entre R$ 300 e R$ 600 por ano, pelo desgaste de pneu, pastilha e corrente. Quem quer comparar modelos antes de fechar pode ver nossa lista das melhores bicicletas elétricas de 2026.
Um ponto da lei que muitos ignoram: só a e-bike de pedal assistido, que precisa da pedalada para o motor funcionar, dispensa CNH e placa pela Resolução 996 do Contran. Modelo com acelerador que anda sozinho entra em outra categoria.
O que o BNDES muda no aluguel
Em julho, o iFood anunciou que o BNDES aprovou R$ 340 milhões para a Tembici comprar até 85 mil e-bikes destinadas a entregadores, conforme a página institucional do iFood (23/07/2026). São 42,5 mil bikes até 2027 e outras 42,5 mil de reposição até 2031. A promessa é que o custo ao entregador fique 25% menor com a frota financiada.
Hoje, ainda pelo iFood (23/07/2026), cerca de 5 mil e-bikes já rodam pelo programa. A Tembici atende 10 capitais e a Bliv, 4 cidades, segundo o Manual da eBike. Se os 25% se confirmarem, a semana de R$ 95 cairia para perto de R$ 71, e o ano, de R$ 4.940 para cerca de R$ 3.700. Fizemos essa conta nós mesmos; o iFood não divulgou tabela nova nem a data em que o desconto chega ao aplicativo.
A conta final entre alugar e comprar

De um lado, R$ 4.940 por ano de aluguel, pelo Manual da eBike. Do outro, uma Caloi E-Vibe Rush de R$ 5.490 pelo eBike Reviews, mais R$ 300 a 600 de manutenção anual. No primeiro ano, comprar custa entre R$ 5.790 e R$ 6.090, cerca de R$ 1.000 a mais do que alugar. A partir do segundo ano, a bike própria só custa a manutenção, e a diferença vira a favor dela em poucos meses.
Nossa leitura: quem já trabalha com entrega há mais de um ano paga a própria e-bike em pouco mais de um ano e depois gasta só a manutenção. Quem está testando o ofício por 3 meses aluga, porque não trava R$ 5 mil numa bike que pode ficar parada. Quanto se ganha a mais de e-bike em relação à mecânica, o iFood não divulga; esse lado da conta cada um faz com o próprio extrato.
Você alugaria por R$ 95 na semana ou prefere ter a sua? Conte quantos km faz por dia e a gente refaz a conta.