Cascavel apreende 9 elétricos na ciclovia no 1º dia de fiscalização

Cascavel, no oeste do Paraná, encerrou em 8 de setembro os 60 dias de orientação a quem circula de patinete e ciclomotor elétrico. No primeiro dia de fiscalização efetiva, a Transitar, autarquia de trânsito do município, recolheu nove veículos na ciclovia do Centro. O balanço foi publicado pela BandaB em 9 de setembro. Nós lemos a apuração e conferimos a regra federal que sustenta a abordagem.

O que aconteceu na ciclovia do Centro

Segundo a BandaB (09/09/2026), os agentes abordaram 51 condutores ao longo da ciclovia e levaram nove veículos ao Pátio de Apreensões, entre patinetes e ciclomotores. O dia marcou o fim do período educativo de 60 dias em que a Transitar apenas orientava e liberava.

Luciane de Moura, coordenadora de Educação para o Trânsito da autarquia, disse à BandaB que mais de 80% dos abordados usavam capacete e que o item mais ausente foi o retrovisor. Sobre as apreensões, ela afirmou ao site: “a intenção não é a remoção, é preservação de vidas”.

O que nos chamou atenção é a proporção: nove apreensões em 51 abordagens. A maioria seguiu viagem. Isso sugere que o pátio ficou para quem estava fora da regra em algo que a orientação não resolve na hora, como a falta de registro de um ciclomotor.

A regra que a Transitar está cobrando

A base da fiscalização de patinete elétrico é a Resolução 996/2023 do Contran, que separa os elétricos leves em categorias. O ciclomotor, com motor de até 4.000 W e velocidade de até 50 km/h, exige registro, placa, habilitação na categoria A ou ACC e capacete. O equipamento autopropelido, limitado a 1.000 W e 32 km/h, dispensa placa e CNH, mas tem regras próprias de onde pode circular, conforme os resumos do Detran-SP e da Aliança Bike.

O g1 mostrou como a fiscalização de ciclomotores foi retomada depois de dois anos e por que identificar cada modelo na rua ainda é um desafio para o agente.

Cascavel não é o primeiro lugar a sair da fase de aviso. Em São Paulo, o Detran-SP informou em 22 de julho de 2026 que mais de 2.300 ciclomotores haviam sido guinchados e cerca de 3.600 infrações registradas até julho, segundo apuração do NDMais. Circular com ciclomotor sem placa é infração de R$ 293,47 e sete pontos na CNH, de acordo com o Detran-SP.

O que a abordagem checa e o que muda para quem anda

Na prática, o agente olha primeiro o que se vê: capacete na cabeça e retrovisores no guidão. Depois vem a pergunta que decide o destino do veículo: é autopropelido ou ciclomotor? Se for ciclomotor, precisa apresentar registro e placa; sem isso, a orientação vira remoção. Se for autopropelido, o que se cobra é a circulação no lugar permitido. Nós explicamos o que diferencia patinete autopropelido de ciclomotor com os limites de potência e velocidade de cada categoria.

Quem teve o veículo recolhido em Cascavel precisa ir ao Pátio de Apreensões com a documentação, e a retirada envolve o custo do guincho e da diária. A BandaB não informa os valores cobrados no município, e nós não vamos estimar.

Nossa leitura: na rua, a diferença entre orientação e remoção é a placa. Quem anda de autopropelido dentro do limite dificilmente vai ao pátio por causa do capacete; quem anda de ciclomotor sem registro vai.

O que observar nas próximas semanas

Três pontos. Primeiro, o balanço semanal da Transitar, que vai dizer se o número de abordagens cai, sinal de que o recado educativo pegou, ou se as apreensões sobem. Segundo, outras cidades médias copiando o formato “60 dias de aviso, depois pátio”, apoiado apenas na resolução federal. Terceiro, o Rio de Janeiro, que com o Decreto 57.823/2026 virou a referência de capital com norma própria para os elétricos leves.

Na sua cidade a fiscalização já passou da fase de orientação ou ainda está no aviso?