Salvador passou de 1 milhão de viagens de patinete, e 3 mil contas ficaram pelo caminho

Vinte meses atrás, o patinete compartilhado em Salvador era quase um passeio de orla. Agora ele sobe para o Centro, desce para a Cidade Baixa e acaba de bater um número redondo.

A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, que os patinetes elétricos compartilhados da cidade chegaram a 1 milhão de viagens desde o início da operação, em janeiro de 2025. O dado está no comunicado oficial da Prefeitura de Salvador, divulgado em 15/10/2026. O serviço é operado pela JET, a mesma empresa que testa o modelo em Campo Grande (MS), onde a prefeitura acaba de dar mais 90 dias ao teste dos patinetes da JET.

O que a prefeitura divulgou

Segundo a Semob, em 15/10/2026, o sistema tem hoje mais de 180 mil usuários cadastrados. A frota começou com 300 patinetes e já soma cerca de 1,2 mil equipamentos espalhados pela cidade.

O secretário de Mobilidade, Pablo Souza, resumiu a marca assim no comunicado: “os patinetes elétricos conquistaram seu espaço na rotina de mobilidade de Salvador”. Ele também disse que o objetivo é continuar ampliando o serviço, com prioridade para a segurança de usuários e pedestres.

Para comparar, basta voltar a julho. Em 7 de julho de 2026, quando a operação regulamentada completou um ano, a mesma secretaria contava 584.174 viagens e 111.985 usuários desde a publicação do decreto, em julho de 2025, conforme o balanço de um ano da Semob. As duas contagens partem de datas diferentes, então não dá para subtrair uma da outra. Mas a direção é clara.

Um milhão de viagens não é moda de verão: é hábito.

De 300 patinetes na orla a 1,2 mil pela cidade

Esta reportagem da TV Alba, de fevereiro de 2026, mostra o momento em que o serviço ganhou novas rotas na cidade:

No começo, o patinete ficava restrito à orla. Ao longo dos 20 meses, segundo a Semob em 15/10/2026, ele chegou ao Centro, Campo Grande, Caminho das Árvores, Pituba, Ondina, Rio Vermelho e Cidade Baixa, e esticou a presença na orla até Itapuã, Stella Maris e Praia do Flamengo.

Para nós, mais revelador que o tamanho da frota é o tipo de viagem. Patinete na orla é lazer de fim de semana. Patinete no Caminho das Árvores e na Pituba é gente indo trabalhar, pegando ônibus ou fugindo do trânsito no trecho curto. Ilhabela viveu algo parecido, e contamos o que a ilha aprendeu em um ano de patinete da JET.

As 3 mil contas bloqueadas, e por quê

Agente de trânsito de colete conversa com um jovem de capacete ao lado de um patinete elétrico compartilhado numa ciclovia à beira-mar
Menores de 18 anos e duas pessoas no mesmo patinete são os motivos mais comuns de bloqueio em Salvador.

O número que vem junto com a comemoração é menos festivo. Desde o início da operação, mais de 3 mil contas foram bloqueadas por uso irregular, segundo a Semob em 15/10/2026. Os dois motivos mais comuns: menor de 18 anos usando o patinete e duas ou mais pessoas no mesmo equipamento.

Quem já passou pela orla num domingo conhece a cena: o adulto destrava, a criança vai na frente, ou dois amigos dividem a mesma plataforma. A conta parece prática, mas o patinete não foi feito para isso, e a prefeitura passou a cortar o acesso. Explicamos por que a regra existe em se o patinete elétrico pode levar garupa e o que a lei diz sobre os pequenos em criança pode andar de patinete e bike elétrica?.

O bloqueio da conta pesa mais que uma multa: ele tira o patinete do bolso.

As regras que valem para quem aluga

A circulação segue o Decreto Municipal nº 40.301/2025, publicado em julho de 2025, de acordo com o comunicado da Semob de 15/10/2026. Os pontos principais:

  • idade mínima de 18 anos e só uma pessoa por patinete, criança incluída;
  • circulação em ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas, parques, praças e vias com limite de até 40 km/h;
  • velocidade de até 25 km/h nas vias permitidas, 12 km/h em áreas compartilhadas, parques e praças, e 6 km/h nas calçadas onde a circulação é autorizada;
  • proibição nos corredores exclusivos de BRT e BRS.

A regra dos 18 anos não é exclusividade baiana. Porto Alegre adotou a mesma linha, como mostramos em Porto Alegre abre a porta para novas empresas de patinete. A Semob também oferece treinamento gratuito pela Escola de Direção Segura. E se você vai pegar o patinete com frequência, compensa ter o seu próprio capacete patinete eletrico, com regulagem e luz traseira. Em Imperatriz, a regra nova mira o lugar: a prefeitura tirou patinete e bike elétrica do calçadão da Beira Rio.

Alugar ou ter o seu, numa cidade de ladeira

Homem de capacete para com um patinete elétrico no alto de uma ladeira de paralelepípedo com casario colorido e a baía ao fundo
Numa cidade dividida entre alta e baixa, quem pensa em ter o próprio patinete precisa olhar o motor.

Salvador tem uma particularidade que todo mundo que mora lá sente nas pernas: a cidade é dividida em alta e baixa, com ladeira para todo lado. O patinete compartilhado resolve bem o trecho plano e curto. Quem começa a usar todo dia, porém, logo pensa em ter o próprio, e aí o motor faz diferença.

Se esse é o seu caso, separamos os melhores patinetes elétricos para subir ladeira, com potência, rampa e tensão declaradas pelos fabricantes, e o aviso de quando o modelo deixa de ser autopropelido.

Na orla qualquer patinete serve; na ladeira, é o motor que responde.

Um milhão de viagens diz que o soteropolitano adotou o patinete. As 3 mil contas bloqueadas dizem que a convivência ainda está sendo aprendida. Siga a gente para acompanhar os próximos passos da Semob, e conte: você usa o patinete na sua cidade, ou ainda olha de longe?

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