O SUV que roda sempre no elétrico e tem tanque de gasolina chegou mais barato que a versão só a bateria

Desde segunda-feira, 28 de setembro de 2026, existe no Brasil um SUV que tem tanque de gasolina, mas nunca usa esse combustível para girar as rodas. É o Leapmotor B10 REEV, que a Stellantis passou a vender em versão única por R$ 179.990, segundo o O Tempo e o comunicado oficial da marca.

O detalhe que chama atenção é o preço. A versão com gerador saiu R$ 3.000 abaixo do B10 100% elétrico, que custa R$ 182.990, de acordo com o Mix Vale (29/09/2026). Normalmente é o contrário. Fomos atrás do que isso significa para quem está pensando em trocar de carro.

O que chegou e por quanto

O B10 REEV é o quarto modelo da Leapmotor no país. A ficha divulgada no lançamento traz, segundo o O Tempo:

  • Motor elétrico traseiro de 218 cv e 24,5 kgfm, o único que move o carro
  • Bateria LFP de 18,8 kWh, integrada ao chassi
  • Motor 1.5 16V a gasolina, que funciona só como gerador
  • Tanque de 50 litros

Não existe câmbio ligando o motor a combustão às rodas. Ele gira, produz eletricidade e alimenta a bateria e o motor elétrico. Por isso a marca chama o sistema de “ultra-híbrido”, e a sigla REEV quer dizer veículo elétrico com extensor de autonomia.

Como funciona o REEV na prática

Na prática, o carro se comporta como um elétrico o tempo todo. A resposta ao acelerador é a do motor elétrico, sem troca de marcha. Quando a bateria baixa, o gerador liga sozinho e trabalha numa faixa de rotação escolhida para gastar pouco.

O vídeo abaixo mostra o carro por dentro e por fora e discute se ele faz sentido contra os rivais.

A vantagem desse arranjo é tirar do dono a ansiedade de autonomia. Não é preciso planejar viagem por eletroposto. A desvantagem é carregar dois sistemas, com a manutenção de um motor a combustão que continua existindo.

Os números que importam no dia a dia

Mulher conectando o cabo de recarga em SUV híbrido na garagem de casa

Três números resumem o uso real, e vale ler cada um com a fonte ao lado.

Até 68 km só no elétrico, no padrão do Inmetro, segundo o O Tempo. Para quem roda até uns 50 km por dia e carrega em casa, isso cobre a rotina sem gastar gasolina.

13,5 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada quando o gerador está trabalhando, também pelo Inmetro. É o consumo que você vai ver em viagem longa, depois que a bateria esgota.

900 km de autonomia combinada, no ciclo europeu WLTP, segundo o AutoPapo. Ciclo europeu costuma ser mais generoso que o uso brasileiro, então trate esse número como teto, não como promessa.

A potência de recarga na tomada e no carregador rápido não aparece nas fontes que consultamos. Se isso pesa na sua decisão, peça a ficha completa na concessionária.

Onde ele ganha dos rivais

A marca coloca o B10 REEV contra SUVs como BYD Song Pro, Jaecoo 7, Geely EX5 e Changan CS55. Pelo levantamento do AutoPapo, o preço fica cerca de R$ 10.000 abaixo do Geely EX5 EM-i.

Há outros pontos a favor listados na mesma avaliação:

  • 0 a 100 km/h em 7,8 segundos, rápido para a categoria
  • Sete airbags e assistências de condução nível 2 de série
  • Diâmetro de giro de 10,5 metros, bom para manobrar numa garagem apertada

E há o argumento da simplicidade. Quem mora em apartamento sem tomada na vaga pode rodar como híbrido comum e carregar quando der. Para esse perfil, falamos das opções em como carregar carro elétrico sem garagem.

O que pesa contra

Motorista ajustando o ar-condicionado pela tela central de um SUV

Nenhum carro é só vantagem. O AutoPapo aponta cinco pontos fracos, e alguns incomodam no uso diário:

  • Ar-condicionado, retrovisores e teto solar só pela tela central
  • Não há chave física: o acesso é pelo celular ou por cartão NFC
  • Não tem limpador no vidro traseiro
  • 68 km elétricos ficam abaixo de alguns híbridos plug-in da faixa
  • Visual muito parecido com o resto da linha

Para nós, o ponto que mais merece test drive é o dos comandos na tela. É o tipo de coisa que parece moderna na loja e irrita na terceira semana.

Para quem faz sentido

O B10 REEV faz sentido para quem roda pouco durante a semana, tem onde carregar e viaja algumas vezes por ano para lugares sem rede de recarga. Nesse uso, a maior parte dos quilômetros sai da tomada, e a gasolina entra só na estrada.

Para quem roda muito todos os dias e não tem como carregar, a conta muda. Aí o gerador vai trabalhar sempre, e a comparação passa a ser com um híbrido comum. Nossa comparação de preços está no guia de carro elétrico mais barato de 2026, e a história da marca no Brasil começa no lançamento do C10 e do B10 pelo Move Brasil.

A pergunta que fica é simples: na sua rotina, quantos dos quilômetros da semana caberiam nos 68 km da bateria?

O que cuida da bateria

Carregador com desligamento automático é o que mais prolonga a vida da bateria: Veja carregadores para bateria de lítio.

Quem guarda o veículo por semanas precisa de tomada com timer para não deixar a bateria cheia demais: Veja tomadas com timer.

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