A campainha veio na caixa do nosso patinete e ficou na caixa por um mês. Achávamos que era enfeite, daqueles brindes que a fábrica coloca para encher o kit. Até o dia em que lemos a Resolução 996 do Contran e descobrimos que aquele sininho de plástico não era opcional: era exigência.
Foi aí que separamos os acessórios em duas pilhas. Na primeira, o que a lei pede para o patinete circular. Na segunda, o que a rua ensina depois de alguns meses rodando, geralmente na base do susto. As duas pilhas são pequenas, mas nenhuma delas cabe na caixa original.
O que a lei pede
A Resolução 996/2023 define o autopropelido (até 1.000 W nominais, 32 km/h, 70 cm de largura) e lista o que ele precisa ter para andar em via pública: indicador e/ou limitador de velocidade, campainha e sinalização noturna dianteira, traseira e lateral. Sem CNH, sem placa, mas com esses itens, segundo a resolução do Contran e o resumo da Aliança Bike.
Um detalhe que nos aliviou: o indicador de velocidade não precisa ser um painel de fábrica. Um aplicativo no celular ou um aviso sonoro valem. Já a luz lateral quase ninguém lembra, e é a que mais falta nos modelos de entrada. Alguns dos modelos do nosso ranking dos melhores patinetes elétricos já vêm com campainha e luz lateral; nos outros, é preciso completar.
Se a dúvida é sobre calçada, ciclovia e via, o que a lei exige para circular está no artigo sobre se o patinete elétrico pode andar na rua.
A campainha que parece brinde é o item que a lei cita pelo nome.
O que a rua ensina: capacete primeiro
A 996 não exige capacete para autopropelido. A rua exige. Roda pequena, buraco de asfalto e tampa de bueiro fora de nível são uma combinação que derruba sem aviso, e a queda de patinete costuma ser para a frente, com as mãos ocupadas no guidão. Depois do primeiro tombo a 20 km/h, o capacete deixou de ser debate aqui.
O Professor Thiago resume bem o que a gente deveria saber antes de subir num patinete ou autopropelido, e vale os minutos antes de comprar qualquer outro acessório.
O guia de compra do Melhor Patinete coloca o capacete no topo da lista de acessórios, antes de trava, luzes, espelho e bomba. Nós assinamos embaixo: é o único item que protege quem está em cima, não o que está embaixo.
A lei protege o trânsito; o capacete protege a sua cabeça.
Trava e onde estacionar
Patinete é leve, dobra e cabe debaixo do braço. Isso é ótimo para nós e para quem quer levar o nosso. Trava em U ou corrente articulada, presa ao quadro e a um ponto fixo, é o que os guias recomendam, e o cabo fino de aço que vem de brinde não conta.
Mas a trava é a segunda metade do problema. A primeira é o lugar: poste em rua movimentada e bicicletário fechado são uma coisa; grade de canteiro em beco vazio é outra. Sempre que dá, o patinete entra dobrado com a gente no escritório, no mercado ou no ônibus. É a única trava que nunca falhou.
Suporte de celular e capa de chuva
O suporte de celular parece capricho e é, na prática, o velocímetro legal do patinete. Como a resolução aceita aplicativo como indicador de velocidade, o telefone preso no guidão resolve a exigência da 996 e ainda mostra o mapa, o que evita parar a cada esquina para conferir o caminho. Só vale se estiver bem firme: vibração de asfalto solta suporte barato em uma semana.
A capa de chuva dobrada na mochila é o item que a gente esquece até o dia em que precisa. Não faz o patinete andar melhor na chuva, e piso molhado com roda pequena pede ainda mais calma. Mas transforma uma garoa no fim do expediente em um contratempo, em vez de um dia perdido.
O celular no guidão é o único acessório que atende a lei e o mapa ao mesmo tempo.
Luz extra, espelho e bomba de ar
A luz de fábrica cumpre a norma. À noite, numa via mal iluminada, ela costuma ser fraca para enxergar o buraco à frente. Uma lanterna auxiliar dianteira e uma luz vermelha traseira piscante entraram no nosso kit depois de um retorno no escuro que não queremos repetir. O espelho é o mesmo raciocínio: olhar por cima do ombro num patinete desestabiliza a direção, e o espelho mostra o ônibus antes de ele buzinar.
A bomba portátil é o acessório menos glamouroso e talvez o mais rentável. Segundo o Elétricos Brasil, pneu 20% abaixo da pressão pode custar de 5% a 10% de autonomia. Ou seja: calibrar toda semana rende quilômetros que nenhum aplicativo devolve. Se você quer entender o resto dessa conta, explicamos quantos km um patinete elétrico faz de verdade.
No fim, a caixa do patinete entrega o veículo. O resto, a lei e a rua vão pedindo aos poucos, e cada item tem uma história por trás: a campainha que ficou guardada, o tombo que trouxe o capacete, a noite que trouxe a luz extra. Qual é o trajeto que você faz todo dia, e o que ele já pediu de você? Conta para a gente nos comentários. Se quiser receber os próximos guias do Anda Elétrico, assine a newsletter.