Semana do Trânsito: bike e patinete elétrico viram alvo de blitz

A Semana Nacional de Trânsito de 2026 começou na sexta-feira, 18 de setembro, e vai até o dia 25 com o tema “Desacelere, seu bem maior é a vida”, segundo o Portal do Trânsito (18/09/2026). Só que nas ruas o foco saiu do carro. Em Curitiba, Caratinga (MG) e Dourados (MS), quem é chamado para conversar com o agente é o dono de patinete, bike e moto elétrica.

Apuramos o que cada cidade está fazendo, o que os agentes olham na abordagem e o que ainda é só orientação. A resposta importa para quem comprou o veículo achando que “não tem regra”: desde 1º de janeiro de 2026 a Resolução Contran 996/2023 vale em todo o país, e as cidades começaram a escrever as suas.

Curitiba: cinco blitzes marcadas até sexta-feira

A primeira ação aconteceu na sexta, 18/09, no Parque Barigui, de acordo com o Bem Paraná (18/09/2026). A agenda segue pela semana: domingo, 20/09, no Calçadão da Rua XV; segunda, 21/09, na Rua da Cidadania Cajuru; terça, 22/09, no Pinheirinho; quinta, 24/09, na CIC; e sexta, 25/09, no Boqueirão. O alvo são patinetes, skates elétricos, scooters e monociclos.

O que o agente recomenda na abordagem é capacete e joelheira, incentivados, mas não obrigatórios, ainda segundo o Bem Paraná (18/09/2026). Melissa Puertas Sampaio, da Escola Pública de Trânsito, resumiu o objetivo: “A micromobilidade está no trânsito brasileiro. Viemos para conscientizar as pessoas de que é necessário o uso de itens de segurança, assim como respeitar as leis”. A JET é parceira das ações.

O decreto que dá base à blitz

A blitz de Curitiba não caiu do céu. Na véspera, 17/09, o prefeito Eduardo Pimentel assinou o Decreto 1520, que regulamenta a circulação dos autopropelidos na cidade, segundo o Bem Paraná (17/09/2026). Vale para veículos de até 32 km/h e 1.000 W: podem andar em ciclovias, ciclofaixas e vias de 30 ou 40 km/h. Ficam proibidos em calçada, via rápida e canaleta de ônibus.

A cena que o decreto tenta organizar é a que o Jornal da Band mostrou ao discutir a falta de fiscalização das bikes elétricas nas ruas.

O decreto também cria o programa “Treinamento sobre Duas Rodas”, com aula teórica e prática, de acordo com o Bem Paraná (17/09/2026). Na nossa leitura, é a parte que mais pesa: a cidade passa a ensinar antes de multar.

Caratinga: a maior preocupação é a bicicleta elétrica

Bicicleta elétrica parada na calçada movimentada, alvo da blitz educativa da Semana do Trânsito
Calçada é o erro mais visto pelos agentes em Caratinga

Em Caratinga, no interior de Minas, a Semana do Trânsito abriu com blitz educativa na Praça Getúlio Vargas, com Polícia Militar e Sest/Senat, segundo o Diário de Caratinga (18/09/2026). A lista do que os agentes viram é conhecida: circulação na calçada, contramão, ultrapassagem irregular, condutor sem capacete e veículo alterado.

Isaías Borges, da Defesa Civil e Trânsito, foi direto: “A nossa maior preocupação hoje é com as bicicletas elétricas, porque muitas vezes o cidadão vem para a via sem nenhum conhecimento da regra de circulação”. O jornal registra ainda moto elétrica modificada que chega a 70 km/h, contra os 30 km/h regulamentados, e crianças e adolescentes conduzindo (Diário de Caratinga, 18/09/2026).

O número que puxou a campanha

Em Dourados (MS), a Agetran escolheu o tema local “Ciclista também é trânsito”, e os números da cidade ajudam a entender por quê. De janeiro a julho de 2026 foram 211 acidentes com bicicleta na cidade: 164 com modelos convencionais e 47 com elétricas, segundo o Douranews (16/09/2026). Junho foi o pior mês da elétrica, com 14 casos. Dois ciclistas morreram em 2026, em 3 de junho e em 12 de setembro.

Conta nossa, com os números do Douranews (16/09/2026): 47 acidentes de elétrica em 211 no total dá 22% dos casos com bike elétrica. Isso não prova que a elétrica é mais perigosa, porque a reportagem não informa quantas bikes de cada tipo circulam. Mas explica por que a fiscalização olha para ela.

Blitz educativa multa? O que muda em cada cidade

Capacete e joelheiras em mesa de blitz educativa de patinete e bike elétrica na Semana do Trânsito
Capacete e joelheira: incentivados em Curitiba, não obrigatórios

Depende da cidade e do que o agente encontra. Em Curitiba, as ações da Semana do Trânsito são educativas e o capacete não é obrigatório (Bem Paraná, 18/09/2026). Em Caratinga, a abordagem é de orientação, com a PM presente (Diário de Caratinga, 18/09/2026). Mas quem está na calçada ou com veículo alterado já entra em outra conversa: as multas que já valem para autopropelido não dependem da semana temática.

O que vale em todo o país é a Resolução Contran 996/2023, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, segundo a Bike Magazine (jan/2026). É ela que define o que é autopropelido, o que é bike elétrica e o que é ciclomotor, e é com base nela que cada cidade escreve a própria regra.

Se um agente parasse você hoje no seu patinete ou na sua bike elétrica, você saberia dizer onde pode e onde não pode andar?