Entregador troca R$ 240 por R$ 15 na semana com moto elétrica em SP

A Auper 600 CE, apresentada como a “moto elétrica mais forte do Brasil”, saiu do palco e foi para a rua fazer o serviço mais duro de uma moto: entrega em São Paulo, em turnos de até 12 horas. A fabricante fechou parceria com a PP Logística, e a reportagem do Tudo de Motos, publicada em 19 de setembro de 2026, trouxe o primeiro relato de quem está pilotando.

O que nos interessa não é a ficha técnica. É a conta do entregador no fim da semana: cerca de R$ 15 de recarga contra cerca de R$ 240 de gasolina, segundo o relato dele à reportagem. Conferimos na fonte e separamos o que já dá para concluir do que falta saber.

O teste: 2 motos, 4 entregadores, turnos de até 12 h

A PP Logística opera desde 2014 e a parceria roda em São Paulo, segundo o Tudo de Motos (19/09/2026). A fase inicial da parceria com a Auper usa duas unidades da 600 CE na versão base, com quatro motociclistas em rodízio. A expansão da frota depende dos dados dessa etapa, pela mesma reportagem.

Duas motos e quatro pilotos em rodízio sugere, na nossa leitura, que a moto quase não para: um entregador descansa, outro assume. É o cenário mais duro para bateria e freio, e por isso os números que saírem daí valem mais do que qualquer teste de pista.

A conta do Paulo: R$ 15 contra R$ 240 por semana

Antes dos números, vale ver a moto em movimento. O test ride abaixo, do canal do Rodrigo Ono, mostra a versão final da 600 CE na rua e a posição de pilotagem que o entregador encara o dia inteiro.

Paulo Barbosa da Silva trabalha com entrega há seis anos e roda de 10 a 12 horas por dia. Ao Tudo de Motos (19/09/2026), ele contou que gasta cerca de R$ 15 por semana de recarga, contra cerca de R$ 240 semanais de gasolina na moto anterior. Em 100 km rodados, a moto consumiu 60% da bateria e, nas palavras dele, recuperou quase toda a energia em 40 minutos de recarga.

Conta nossa, com esses dois valores de entrada: R$ 15 vezes 52 semanas dá R$ 780 por ano de energia; R$ 240 vezes 52 dá R$ 12.480 de gasolina. A diferença passa de R$ 11 mil no ano, sem contar manutenção, que a Auper afirma cair mais de 80% na elétrica, segundo a mesma reportagem. É o relato de um entregador num teste inicial, e tratamos como isso. Mas é o primeiro número de rua dessa moto.

O que a 600 CE entrega na ficha

Painel da moto elétrica Auper 600 CE com a barra de bateria no trânsito de São Paulo
Painel da 600 CE no trânsito de São Paulo

Os números da ficha, conforme o Tudo de Motos (19/09/2026): motor de 25 kW, o equivalente a 34 cv, torque de 8,1 kgfm, 0 a 100 km/h em 6,2 segundos e velocidade máxima de 140 km/h. A autonomia declarada é de 100 km. Preço comercial, o fabricante não declara.

Cruzando ficha e relato: nos 100 km relatados pelo Paulo, 60% da bateria foram consumidos, o que sugere alcance acima dos 100 km declarados. É um registro só, e não tratamos como autonomia real até ver mais dias. A 600 CE exige CNH, diferente das motos elétricas que dispensam habilitação.

Por que entrega é o campo de prova das elétricas

O Brasil tem 455 mil entregadores, e 70% deles trabalham de moto, segundo dado do iFood citado pelo Tudo de Motos (19/09/2026). As elétricas, porém, respondem por menos de 1% das vendas de motos no país, pela mesma fonte. É um mercado enorme, sensível ao preço do combustível, onde a elétrica quase não entrou.

A conta ganhou um empurrão. O Move Brasil virou lei permanente com R$ 30 bilhões em crédito, financiamento em até 84 parcelas, juros de 12,6% ao ano (11,5% para mulheres), veículos de até R$ 200 mil e exigência de seis meses de atividade em aplicativo, segundo a Agência Brasil (14/09/2026). Não é conselho nosso, é o cenário: quem vive de entrega tem uma porta de crédito nova.

O que ainda não sabemos

Motos de entrega estacionadas em rua comercial de São Paulo, uma delas elétrica
Fila de motos de entrega, uma delas elétrica

Três coisas. O preço final da 600 CE, que o fabricante não declara. O prazo de entrega ao público. E o ciclo de vida da bateria numa rotina de 12 horas por dia, a pergunta que decide se a economia da semana se sustenta em dois ou três anos.

A reportagem do Tudo de Motos (19/09/2026) cita Silvio Rotilli, CEO da Auper, Inácio Lucena, da PP Logística, e Beatriz Bitelo, da Auper, mas nenhum deles apresenta cronograma. Vamos voltar ao assunto quando houver dados de mais semanas.

Se a sua conta de gasolina caísse de R$ 240 para R$ 15 por semana, você encararia o preço mais alto da elétrica?