Elétrico: 62% pagariam mais por autonomia, mas 47% só vão até R$ 100 mil

As duas perguntas de quem olha um elétrico: quanto anda com uma carga e quanto custa. A Webmotors juntou as duas numa pesquisa com 1.200 pessoas, e o resultado, publicado pelo Canal VE em 18 de setembro de 2026, mostra um brasileiro dividido: 62% dizem que pagariam mais por autonomia, mas 47% não passam de R$ 100 mil.

Apuramos a pesquisa na fonte e fomos atrás do que existe de novo abaixo desse teto. O quadro é este: o desejo aponta para cima, o bolso segura embaixo, e encontramos um modelo com preço de lançamento na faixa que quase metade dos entrevistados definiu como teto.

O que a pesquisa perguntou e a quem

O levantamento é do Webmotors Autoinsights, feito em junho de 2026 com 1.200 participantes, segundo o Canal VE (18/09/2026). A pergunta central foi dirigida a quem ainda não tem elétrico: o que justificaria pagar mais caro por um? A autonomia ganhou com folga. Para 62%, quilômetros a mais na bateria valem um preço maior.

Os outros motivos vieram atrás. Tecnologia embarcada foi citada por 39%, manutenção mais econômica por 38% e conforto por 35%, ainda pelo Canal VE (18/09/2026). Lemos isso como um recado direto às montadoras: o brasileiro não compra elétrico por tela grande. Compra para não ficar na mão entre uma recarga e outra.

O teto de preço: 47% param em R$ 100 mil

A mesma pesquisa perguntou quanto essas pessoas pagariam. E aí o entusiasmo esfria. Segundo o Canal VE (18/09/2026), 47% dos entrevistados só aceitam desembolsar até R$ 100 mil; 35% iriam de R$ 100 mil a R$ 150 mil; e apenas 14,3% chegariam a R$ 200 mil. Quase metade do público quer autonomia de carro grande com preço de compacto a combustão.

O podcast Os Economistas discutiu quais elétricos valem a pena em 2026 nessa mesma régua de preço.

Quem já tem elétrico pensa diferente

Carro elétrico compacto em recarga na garagem de uma casa à noite
Quem já roda de elétrico mede o custo total, não a etiqueta

O grupo que já dirige um elétrico responde de outro jeito. Entre os donos, 68% gastariam até R$ 200 mil no próximo carro, o dobro do teto de quem ainda não tem, conforme o Canal VE (18/09/2026). Nossa leitura: quem já compara a conta da tomada com a da bomba passa a medir o carro pelo custo total, não pelo preço da etiqueta.

Os números apontam nessa direção: 67% dos proprietários dizem priorizar custo-benefício, e o test drive foi decisivo em 35% das compras, ainda segundo o Canal VE (18/09/2026). A experiência ao volante pesa mais que o folheto. Para quem está no grupo dos 47%, vale conhecer os elétricos abaixo de R$ 150 mil que existem hoje antes de fechar o teto na cabeça.

O que cabe em R$ 100 mil: um Kwid, se o preço de lançamento se mantiver

Fomos procurar o que existe de novo por até R$ 100 mil. O que encontramos com preço de tabela abaixo disso é o Renault Kwid E-Tech 2026 chegou a R$ 99.990, preço de lançamento em outubro de 2025, segundo o Canal VE (08/10/2025). Ele traz bateria de 26,8 kWh, 180 km de autonomia no ciclo Inmetro e 65 cv. Se o valor ainda vale em setembro de 2026, a concessionária informa; não cravamos.

Conta nossa: 26,8 kWh divididos por 180 km dão cerca de 14,9 kWh a cada 100 km, com os dois números da ficha publicada pelo Canal VE (08/10/2025). É um carro de cidade, não de estrada. E é justamente nessa autonomia que os 62% pedem mais.

Logo acima do teto, o mercado é outro. O BYD Dolphin Mini foi o 5º carro mais vendido do Brasil em agosto de 2026, com 8.299 unidades, segundo O Tempo (01/09/2026). O preço atual, a fabricante informa na tabela.

Move Brasil muda a conta de quem trabalha com o carro

Motorista de aplicativo aguarda a recarga de um carro elétrico em eletroposto
Move Brasil financia até R$ 200 mil em 84 parcelas

Para quem usa o carro em aplicativo, entrou uma variável nova na conta. O Move Brasil virou lei permanente com R$ 30 bilhões via BNDES para financiar veículos de até R$ 200 mil, em até 84 parcelas, com juros de 12,6% ao ano (11,5% para mulheres), segundo a Agência Brasil (14/09/2026). A exigência é ter 6 meses de atividade em aplicativo.

O teto de R$ 200 mil do programa coincide com o que 68% dos donos de elétrico pagariam, não com os R$ 100 mil de quem ainda não tem. Não estamos recomendando financiamento; só apontamos que a régua do governo e a régua de quem já dirige elétrico são a mesma. A pesquisa mostra o desejo. A tabela de preço e o crédito mostram onde ele encosta.

Você está no grupo dos 47% que param em R$ 100 mil ou pagaria mais por 100 km a mais de autonomia?