A mesma placa custa zero em Curitiba e alguns milhares de reais em São Paulo. Não é exagero: o IPVA é imposto estadual, cada assembleia legislativa decide sozinha, e o resultado é um mapa cheio de remendos. Um leitor nos contou que só descobriu que o Paraná zera o imposto do 100% elétrico depois de assinar o contrato. Comprou certo, mas por sorte.
Nós apuramos estado por estado, cruzando o levantamento do Vrum (julho de 2026) com a lista do Canal VE (16/12/2025). Marcamos o que é lei, o que tem teto de preço, o que é só desconto e o que vence em dezembro. Onde as fontes divergem, dizemos isso e mandamos você conferir na Sefaz.
Onde o 100% elétrico não paga nada
Nove estados e o Distrito Federal zeram o IPVA do carro 100% elétrico, segundo o Vrum (jul/2026) e o Canal VE (16/12/2025). São eles: Paraná, com alíquota zero; Rio Grande do Sul; Rio Grande do Norte; Pernambuco; Paraíba; Maranhão; Distrito Federal; Acre; Tocantins; e o Amapá, cujo benefício vale só até o fim de 2026, conforme as mesmas fontes.
O detalhe fica nos híbridos. No Maranhão, o 100% elétrico não paga, mas o híbrido paga 2,5%, pelo Vrum (jul/2026). No Acre e no Tocantins a isenção alcança os híbridos também, com o Tocantins valendo até 31/12/2026, segundo o Canal VE (16/12/2025). Isenção não é sinônimo de “para sempre”: é uma lei com data, e a data importa.
O Ceará é o caso em que as fontes não batem. Uma lista fala em isenção, outra em alíquota de 2%. Não vamos cravar. Se você está no Ceará, consultar a Sefaz-CE antes de fechar o negócio é a única resposta honesta que temos.
Isenção com teto de preço
Três estados isentam, mas só até certo valor ou sob condição. A Bahia zera o IPVA do elétrico até R$ 300 mil, segundo o Vrum (jul/2026). O Pará isenta até R$ 150 mil, pela mesma fonte. Na prática, um Dolphin Mini entra no benefício do Pará; um MG4 em versão mais cara, não. O teto muda a escolha do carro.
Minas Gerais é o caso mais restrito: só o eletrificado fabricado no estado fica isento, conforme o Vrum (jul/2026). Um elétrico importado emplacado em Belo Horizonte paga normalmente. É uma isenção pensada para a indústria local, não para o consumidor.
Antes de seguir para os estados que cobram menos, vale ouvir quem explica por que a isenção existe em alguns lugares e não em outros. O Motorgrid Podcast discutiu o assunto, e a conversa ajuda a entender a lógica por trás do mapa.
Alíquota menor em vez de zero

Aqui o imposto existe, mas é menor. No Rio de Janeiro, o 100% elétrico paga 0,5% e o híbrido 1,5%, de acordo com o Vrum (jul/2026). Piauí cobra 1%. Amazonas cobra 1,5%. São percentuais bem abaixo do que um carro a combustão paga nesses mesmos estados.
Dois estados fazem a conta pelo tempo de posse. Alagoas isenta no primeiro ano e depois cobra 1%, segundo o Canal VE (16/12/2025). Mato Grosso do Sul dá 100% de desconto no primeiro ano e 70% nos seguintes, pela mesma fonte. Nós chamamos isso de pegadinha do primeiro ano: o boleto zerado da concessionária não é o boleto do ano seguinte.
Se você está comparando dois carros de preço parecido, faça a conta do segundo ano, não do primeiro. É ali que a diferença entre isenção e desconto aparece.
São Paulo é a exceção que dói
O maior mercado de elétricos do país não isenta o carro 100% elétrico. A isenção estadual, conforme a Sefaz-SP, vale para veículos movidos a hidrogênio e para híbridos flex com motor elétrico de pelo menos 40 kW, tensão mínima de 150 V e valor venal de até R$ 261.154,45 em 2026.
Um Dolphin Mini, um EX2, um MG4: todos pagam a alíquota normal em São Paulo. Quanto exatamente? As fontes que consultamos divergem entre 3% e 4%, e por isso não cravamos o percentual. Consultar a Sefaz-SP com o Renavam em mãos é o caminho.
O contraste é o que dói. Um paulista que compra o mesmo carro que um paranaense paga, todo ano, um imposto que o vizinho de estado não vê. E nada indica mudança para 2026: a lei estadual continua desenhada para o híbrido, não para o elétrico puro.
Como conferir e o que vence em dezembro

O jeito mais seguro é o mais chato: entrar no site da Sefaz do seu estado com o Renavam e ver o que aparece. Lista de blog envelhece; o portal da Sefaz, não. Duas isenções têm prazo curto: as do Amapá e do Tocantins expiram em 31/12/2026, segundo o Canal VE (16/12/2025). Quem compra em outubro e conta com o zero em 2027 pode se decepcionar.
Goiás está em debate, sem lei aprovada até onde apuramos. Promessa de deputado não paga boleto. Enquanto não vira lei publicada, para nós é “consultar a Sefaz-GO” e nada mais.
Nossa leitura: em muitos estados, a isenção do IPVA pode pesar mais no bolso, ao longo dos anos, do que R$ 10 mil de desconto na concessionária. É um custo silencioso que ninguém coloca na etiqueta. E quem acha que o carro ainda não cabe tem outra porta: a moto elétrica sem CNH não paga IPVA nem emplacamento, em qualquer estado.
No seu estado o elétrico é isento? Já descobriu isso antes ou depois de comprar?