O carro elétrico saiu da vitrine da concessionária e foi parar no pátio de leilão. A Copart informou crescimento de 94,3% nas vendas de veículos eletrificados na plataforma entre janeiro e agosto de 2026, número publicado pelo FatoNews em 21/09/2026 e pelo Alô Chapada em 19/09/2026. O leilão citado nas duas matérias acontece nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, às 18h.
Conferimos os números na fonte e o que nos chamou atenção não foi o percentual, foi o endereço. Leilão é onde o carro chega depois do sinistro ou da troca de frota. Se o elétrico começou a aparecer ali em volume, a frota brasileira já é grande o bastante para produzir descarte. Isso abre uma porta de preço para quem nunca conseguiu comprar um zero-quilômetro — e pendura uma pergunta enorme em cima dela.
O dado que a Copart divulgou
O crescimento de 94,3% se refere às vendas de veículos eletrificados na plataforma da Copart entre janeiro e agosto de 2026, conforme Alô Chapada (19/09/2026) e FatoNews (21/09/2026). As duas matérias trazem o mesmo recorte e a mesma data de pregão: 22 de setembro, às 18h.
Adiel Avelar, presidente da Copart, resumiu assim: “O crescimento dos veículos eletrificados já não está restrito ao mercado de veículos novos. Estamos acompanhando essa evolução também nos leilões”. A frase é curta, mas diz o essencial para quem compra usado: o elétrico virou item de estoque de pátio, não mais exceção.
Os modelos que entraram no lote
Antes de olhar a lista, vale ver alguém que já fez esse caminho. O canal Anderson Sincero tratou exatamente da dúvida que abre a carteira de todo mundo: comprar carro elétrico em leilão vale a pena.
As duas matérias listam os modelos com valores de referência da Tabela Fipe: Mercedes-Benz GLE 2026 a R$ 645.216, Audi Q5 2024 a R$ 312.836, BYD Song Plus 2026 a R$ 218.462, Volvo XC60 2022 a R$ 212.140, GWM Haval H6 2025 a R$ 181.738 e BYD Dolphin Mini 2027 a R$ 114.856 (Alô Chapada, 19/09/2026; FatoNews, 21/09/2026).
Um aviso que precisa vir antes da empolgação: esses valores são de referência da Fipe, e não preço de arremate. Nenhuma das fontes informa por quanto cada lote foi ou será vendido. A Fipe serve como régua de comparação, não como promessa de desconto.
Por que começou a sobrar elétrico no pátio

A resposta está na frota. A ABVE informou em 09/09/2026 que agosto teve 57.386 emplacamentos de eletrificados leves, com 950.183 unidades acumuladas na série histórica e 328.477 vendas nos oito primeiros meses de 2026, alta de 160,5% sobre 2025. Os eletrificados chegaram a 22% do mercado em agosto, e os 100% elétricos somaram 27.166 unidades, alta de 256% em doze meses.
Ricardo Bastos, presidente da ABVE, disse na mesma data: “Nossa expectativa é chegar ao primeiro milhão nas próximas semanas, ainda este mês”. Fizemos a conta mental óbvia: frota perto de um milhão de carros produz sinistro, produz rodízio de frota de locadora e produz lote de leilão. O pátio é o espelho atrasado da rua.
O risco que não aparece na foto do lote
Aqui está a parte desconfortável. Em leilão de veículo recuperado de sinistro, o estado de saúde da bateria de tração não costuma ser divulgado. Nenhuma das fontes consultadas traz custo declarado de troca de pack para os modelos deste lote — o fabricante não declara. Você está dando lance sem nenhum laudo sobre o estado desse componente.
Três situações mudam completamente a conta e nem sempre aparecem na foto: contato com água, acionamento de airbag e estrutura amassada perto do pack de bateria. Num carro a combustão, o amassado costuma parar na lataria. Num elétrico, amassado perto do pack é sistema de alta tensão, e isso pede vistoria especializada antes de qualquer conserto.
Como montar o lance sem se enganar

Conta nossa, com uma entrada só: o BYD Dolphin Mini 2027 aparece a R$ 114.856 na Tabela Fipe citada pelo Alô Chapada (19/09/2026). Sobre o valor do lance, o comprador ainda soma a comissão do leiloeiro, o transporte até a oficina, a vistoria elétrica e a eventual troca de componentes de alta tensão. Não estimamos esses valores aqui porque variam por estado e por lote.
A régua honesta é uma só: compare o total desembolsado, com tudo somado, ao preço de um seminovo de concessionária com garantia de fábrica remanescente. Se os dois números ficam perto, o leilão não está barato, está apenas arriscado. E se a diferença for grande, ela precisa cobrir também o que a vistoria elétrica pode apontar. Para quem quer preço sem esse tipo de aposta, vale olhar os carros elétricos mais baratos de 2026.
Você compraria um elétrico de leilão sabendo que a bateria não vem com histórico?